Mais de 150 italianos e ítalo-brasileiros enviaram uma carta ao Comitê dos Italianos no Exterior de São Paulo em protesto contra uma propaganda do PL. A peça trazia a imagem do senador Flávio Bolsonaro associada à estética usada pelo ditador fascista Benito Mussolini e foi apagada após repercussão negativa. Sem caráter partidário, o grupo cobra posicionamento das lideranças da comunidade italiana e pede a abertura de um debate público sobre memória histórica, antifascismo e defesa da democracia.
Um grupo de italianos residentes no Brasil encaminhou ao Comitê dos Italianos no Exterior (Comites) de São Paulo uma carta coletiva com mais de 150 adesões em protesto à publicação de uma imagem do senador e candidato à presidência da República Flávio Bolsonaro (PL) em referência a uma peça utilizada pelo ditador fascista Benito Mussolini (1883-1945) na Itália.
A propaganda foi publicada pelo canal oficial do partido de Flávio no último 8 de outubro e apagada posteriormente diante da repercussão negativa.
Na imagem, o rosto do candidato aparecia em preto e branco com os dizeres "Tropa do Flávio" ao fundo. O intuito do PL era atrair apoiadores para um grupo de Whatsapp focado em ajudar o senador nas eleições.
"Nenhuma liderança da comunidade italiana [em São Paulo] se manifestou quando associaram um símbolo fascista na campanha de Flávio Bolsonaro", afirmou à ANSA, Giuliano Orlando, idealizador da iniciativa.
A carta, assinada por 151 italianos residentes no Brasil e por apoiadores ítalo-brasileiros, solicitou ao Comitês SP a realização de um debate público sobre a memória antifascista, o uso de símbolos fascistas na comunicação política contemporânea e o papel das instituições representativas da comunidade italiana no exterior.
"Independentemente das intenções declaradas pelos responsáveis pela publicação, os signatários consideram que essa semelhança visual merece reflexão pública, especialmente diante dos desafios enfrentados pelas instituições democráticas brasileiras nos últimos anos", destaca um comunicado da medida, reforçando que a proposta "não tem caráter de intervenção partidária".
"A iniciativa pretende estimular a participação da comunidade italiana residente no Brasil, levando o debate para além dos espaços institucionais e incentivando uma reflexão coletiva sobre a relação entre memória histórica e democracia no presente", diz a nota.