O candidato à Presidência Flávio Bolsonaro prometeu recriar o Perse para apoiar turismo e eventos caso seja eleito, alegando estímulo à economia. Criado na pandemia e encerrado na gestão Lula devido ao alto custo fiscal de R$ 15 bilhões e ao ajuste das contas públicas, o benefício gerou críticas da equipe econômica atual. Integrantes do governo apontam distorções no programa, como o uso indevido por grandes empresas como o iFood e indícios de lavagem de dinheiro investigados pela polícia.
O candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL) prometeu em vídeo publicado em redes sociais nesta terça-feira restabelecer o Programa Emergencial de Retomada do Setor de Eventos (Perse) se vencer a eleição, afirmando que a medida valerá para as áreas de eventos, shows e turismo.
O programa foi originalmente criado durante a pandemia de Covid-19 para socorrer o setor e teve elevado custo fiscal, com empresas de diferentes setores conseguindo acessar o benefício, que se prolongou bem além do período emergencial. A gestão do presidente Luiz Inácio Lula da Silva conseguiu encerrar o programa após longa negociação com o Congresso Nacional sobre um plano de ajuste das contas públicas.
De acordo com Flávio, o programa estimulará grandes e pequenos artistas e aquecerá a economia do país.
"Onde tem eventos o comércio vende mais, o taxista e o uber faturam, os pequenos artistas prosperam e a economia gira", disse na publicação.
Em abril de 2024, o Congresso aprovou projeto do governo que estabeleceu o encerramento do programa de incentivo tributário para o setor de eventos quando atingisse um custo total de R$15 bilhões a partir daquele momento. A cifra foi alcançada em cerca de um ano e o Perse foi finalizado, com celebração de técnicos do governo.
Após o anúncio de Flávio, duas fontes da equipe econômica do governo Lula disseram, sob condição de anonimato, que para além do custo elevado do Perse, o programa apresentava distorções e chegou a ser usado por empresas envolvidas em lavagem de dinheiro.
"As operações Jogo de Sombras, Arena e Conto da Sorte apuraram uso de empresas de eventos para lavagem de dinheiro do jogo", disse uma delas em referência a operações policiais que miraram empresas de apostas online.
Ainda em 2024, a Receita Federal também identificou mais de 2 mil empresas que usavam o incentivo fiscal sem que o Fisco tivesse registrado pedidos de habilitação para o benefício.
Uma terceira fonte do governo destacou distorções no modelo do programa, que foi criado para socorrer empresas afetadas pelo fechamento de estabelecimentos comerciais durante a pandemia, mas teve como grande beneficiário o iFood, empresa que teve receitas fortemente multiplicadas durante a crise sanitária.
Em 2025, a Reuters mostrou que o iFood pagou quase R$1 bilhão em tributos à Receita após o governo obter vitória na Justiça, que considerou indevido o uso dos benefícios do Perse. Na ocasião, a companhia argumentou que usufruiu do incentivo somente enquanto esteve vigente uma decisão judicial que a autorizava a fazê-lo.