A estatal brasileira anunciou ainda na sexta-feira (14) ter identificado a presença de hidrocarbonetos em águas profundas localizadas a cerca de 175 quilômetros da costa do Amapá, na bacia da Foz do Amazonas, no extremo norte do país. A notícia representa uma nova etapa na exploração da chamada Margem Equatorial, região marítima que se estende pela costa norte brasileira e onde a vizinha Guiana encontrou enormes reservas de petróleo nos últimos anos.
O anúncio foi recebido com entusiasmo pela Petrobras e pelo Instituto Brasileiro de Petróleo e Gás (IBP), mas gerou novas críticas entre especialistas. Em entrevista ao correspondente Martin Bernard da RFI, o climatologista Carlos Nobre qualificou a expansão da exploração petrolífera como um risco de "ecocídio" e afirmou que novas perfurações são incompatíveis com a transição energética.
"A Petrobras sempre fala de transição energética. Mas não há sentido em falar em transição energética e, ao mesmo tempo, falar em novas explorações de petróleo. A transição energética é usar rapidamente as energias renováveis e parar com o uso de combustíveis fósseis", evidenciou o cientista.
Nobre diz que a estratégia entra em choque com os compromissos climáticos defendidos pelo próprio Brasil nos fóruns internacionais.
O cientista também faz eco aos alertas de dezenas de organizações ambientais, que classificam a expansão da produção de petróleo como um risco para o clima global. Para ele, trata-se de um caminho que pode levar ao que define como um "ecocídio", ou seja, o suicídio ecológico do planeta.
Explorar antes de abandonar os combustíveis fósseis?
Por enquanto, a Petrobras afirma ter encontrado apenas indícios de petróleo ou gás natural. A confirmação dependerá de novas perfurações em águas ultraprofundas. Mesmo assim, a presidente da empresa, Magda Chambriard, já demonstrou otimismo em relação ao potencial econômico da área, em um momento em que o Brasil teme uma redução de suas reservas petrolíferas após 2030.
A exploração na Margem Equatorial conta com o apoio do presidente Lula, que considera os recursos provenientes dos hidrocarbonetos essenciais para financiar a transição energética brasileira. Apesar de defender, no plano internacional, a redução gradual do uso de combustíveis fósseis para combater as mudanças climáticas, o governo brasileiro ainda não apresentou um plano detalhado de saída dessas fontes de energia.
Como observou o jornal francês Le Monde, Lula defende o uso das receitas geradas pelo petróleo para financiar a transição energética do país, uma estratégia que críticos consideram paradoxal por ampliar a exploração de combustíveis fósseis em nome de sua futura substituição.
O Instituto Brasileiro de Petróleo e Gás (IBP), que reúne empresas do setor, classificou o resultado como "extremamente importante" e afirmou que ele abre a possibilidade de exploração em uma nova fronteira petrolífera no norte do país, além de reforçar a segurança energética nacional no médio e longo prazo.
Além dos indícios encontrados na costa amazônica brasileira, a Petrobras anunciou recentemente a identificação de novas reservas de gás natural em águas colombianas, reforçando sua estratégia de ampliar a exploração de hidrocarbonetos na região.