O ONS acionou um plano emergencial no domingo que levou distribuidoras a cortarem 1 GW de energia de pequenas usinas para evitar um colapso no sistema elétrico. A medida visou conter o excesso de oferta e equilibrar a rede diante do baixo consumo no fim de semana e do avanço da geração solar distribuída, não controlável pelo operador. Além disso, foram cortados mais de 20 GW de grandes usinas solares e eólicas, e novos testes preveem cortes automáticos em fazendas solares até o fim do ano.
O plano emergencial acionado no domingo para conter o excesso de geração de energia no sistema elétrico brasileiro envolveu o corte de 1 gigawatt (GW), operacionalizado pelas distribuidoras, disse o Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS) nesta segunda-feira.
O Brasil acionou pela segunda vez, na véspera, um plano para reduzir a injeção de energia por usinas de pequeno porte, conectadas à rede das distribuidoras, visando equilibrar a geração e o consumo de energia e evitar um colapso do fornecimento aos consumidores.
A medida de segurança passou a ser acionada neste ano para fazer frente ao forte crescimento da geração solar distribuída, que já é a segunda maior fonte da matriz brasileira, mas não é controlável pelo ONS.
As miniusinas solares, instaladas principalmente em telhados e fachadas, passaram a atender uma parte cada vez maior do consumo de energia do Brasil, ocupando espaço de outras fontes e ampliando os riscos de blecautes, já que sua geração não é controlável.
O problema aparece sobretudo nos fins de semana e feriados, dias de consumo baixo de energia e que exigem diminuição da geração para equilibrar a frequência do sistema elétrico.
Quando o ONS identifica esgotamento de seus recursos, já tendo reduzido toda a geração possível de grandes parques eólicos e solares, hidrelétricas e termelétricas, as distribuidoras são instadas a cortar a energia de pequenos empreendimentos conectados às suas redes.
No domingo, foi solicitado às concessionárias o gerenciamento de 1 GW entre 11h e 13h30, com cortes nas usinas "tipo III", como pequenas centrais hidrelétricas (PCHs) e térmicas a biomassa.
Além do plano emergencial, o ONS seguiu cortando energia de grandes eólicas e solares no Nordeste, uma estratégia já adotada no passado. O operador cortou mais de 20 GW ao longo de todo o domingo, segundo o informe preliminar de operações do dia. A carga, por sua vez, ficou em torno de 71 GW.
"O Operador segue atento a nova realidade eletroenergética e trabalhando para garantir a segurança e a eficiência do sistema, de acordo com os procedimentos de rede vigentes", disse o ONS, em nota nesta segunda-feira.
Para adicionar mais uma camada de proteção contra apagões, o ONS deverá começar a testar, até o fim do ano, cortes automáticos de geração distribuída solar remota. A proposta em estudo prevê cortes de até 3 GW de energia injetada pelas chamadas "fazendas solares", empreendimentos que atendem a empresas de "energia solar por assinatura".