Câmeras de monitoramento da academia C4 Gym, na zona leste de São Paulo, mostram o momento em que alguns alunos, entre eles a professora Juliana Faustino Bassetto, de 27 anos, passando mal durante uma aula de natação.
Outras imagens do circuito interno do local registraram a vítima, um minuto depois, sentanda no chão de uma área comum da academia e sendo socorrida por funcionários e alunos. Um homem a ergue e serve de apoio para a mulher, que demonstra estar fragilizada e sem forças para caminhar sozinha.
É possível ver também que o local passa a ser aparentemente evacuado, com uma série de pessoas deixando a academia e passando pelas catracas de saída da academia.
O caso aconteceu no último sábado, 7, na unidade da C4 Gym localizada em São Lucas. Juliana precisou ser hospitalizada, mas não resistiu. Seu marido, Vinicius de Oliveira, de 31 anos, e que também participou da atividade, está internado e seu quadro é considerado grave. Ao menos outros cinco alunos também sentiram mal-estar depois de entrarem em contato com a água.
Em nota, a direção da Academia C4 GYM disse lamentar profundamente o ocorrido e afirma ter prestado apoio às vítimas. Contudo, conforme o delegado que investiga o caso, Alexandre Bento, os responsáveis pela unidade ainda não prestaram depoimento à polícia.
O caso foi registrado como morte suspeita e perigo para a vida ou saúde no 6º DP (Santo André) e está sendo investigado pelo 42º DP (Parque São Lucas). A principal suspeita é de que, ao entrar em contato com a água, os produtos podem ter provocado uma reação química, liberando gases tóxicos que podem ter causado lesões nas vias aéreas dos alunos.
Por esse motivo, a Polícia Civil apreendeu uma série de produtos usados para a manutenção da piscina e a perícia apura se houve erro na dosagem dos elementos ou o uso de substâncias irregulares para o tratamento da água.
Depois do episódio, a unidade da rede C4 Gym do Parque São Lucas, onde o caso aconteceu, foi interditada. A subprefeitura de Vila Prudente informou que barrou o estabelecimento devido a uma "situação precária de segurança". Segundo nota, a interdição também ocorreu em razão da ausência de Auto de Licença de Funcionamento e de irregularidades relacionadas aos CNPJs vinculados à atividade exercida no endereço.
Imagens captam mistura de produtos seguida por socorro
Como mostrou o Estadão, outras câmeras de monitoramento registraram o momento em que que um funcionário faz uma mistura de produtos químicos na academia.
De acordo com os registros, o homem aparece em uma área anexa à da academia. Ele pega um balde aparentemente vazio, se dirige a uma parte deste espaço onde as câmeras não alcançam e começa a fazer o que parece ser uma mistura de produtos. É possível ver que, conforme o homem mexe o balde, uma fumaça branca sai do recipiente.
Neste momento, o relógio da câmera apontava para 13h24. A aula de natação que Juliana, o marido e outros alunos participaram, na qual passaram mal, aconteceu minutos depois.
Outras câmeras internas da academia mostram que às 13h37, durante a aula, as pessoas começam a sair da piscina. Algumas aparentavam fraqueza e dificuldade, e tiveram de ser auxiliadas por outras colegas, que as puxam para fora da água.
No minuto seguinte, às 13h38, uma câmera direcionada para a saída da academia mostra que uma das alunas da natação, trajando maiô, senta no chão e demonstra precisar de ajuda.
Ela é socorrida por, pelo menos duas pessoas. Uma delas, uma mulher que aparenta ser funcionária da academia, conversa com a mulher enquanto fala ao telefone - ao que parece ser uma ligação para acionar o resgate.
A mulher permanece sentada por cerca de três a quatro minutos, até que é levantada e um homem a ajuda a caminhar até a saída da academia.
Minutos depois, ainda é possível ver pelas imagens algumas pessoas tapando a região do nariz em sinal de proteção, além de muitos alunos da academia deixando o local em uma suposta evacuação.
De acordo com testemunhas, os alunos sentiram um forte cheiro químico na água, seguido de sintomas como queimação nos olhos e episódios de vômito.
Ao Estadão, o delegado Alexandre Bento informou que o suspeito de fazer a mistura ainda não prestou depoimento à polícia, mas deve se apresentar às autoridades nesta terça, 10, junto da sua advogada. A identidade dele não foi informada e, por isso, não foi possível localizar a defesa.