Adolescentes suspeitos de matar o cão Orelha em SC também tentaram afogar outro animal, enquanto seus pais foram indiciados por coação; investigação segue com apreensão de dispositivos e análise de atos infracionais.
Os quatro adolescentes suspeitos de terem torturado e causado a morte do cão Orelha, em Praia Brava, em Florianopólis (SC), também teriam tentado afogar um outro cachorro da comunidade. A informação foi divulgada pelo delegado-geral da Polícia Civil de Santa Catarina, Ulisses Gabriel, que adotou o Caramelo, sobrevivente dos maus-tratos.
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Por serem menores de idade, a conduta dos adolescentes está sendo analisada como ato infracional pela Delegacia de Atendimento ao Adolescente em Conflito com a Lei da Capital (DEACLE). Ao mesmo tempo, foi instaurado um inquérito policial para apurar a conduta dos pais dos envolvidos, suspeitos de terem coagidos testemunhas.
A Polícia Civil atualizou, nesta terça-feira, 27, que um advogado e dois empresários, familiares dos adolescentes, após serem interrogados pela Delegacia de Proteção Animal (DPA), foram indiciados pelo crime de coação no curso do processo. O inquérito policial foi remetido ao Fórum.
Aparelhos celulares e outros dispositivos eletrônicos dos suspeitos também foram apreendidos em buscas nas casas dos adolescentes e seus responsáveis e passarão por análise.
Relembre o caso
O cão Orelha teria sido espancado por quatro adolescentes no início do ano. O cachorro, que vivia há pelo menos 10 anos na região da Praia Brava e era cuidado por moradores locais, precisou ser submetido a eutanásia após os veterinários não conseguirem salvá-lo.
A comunidade da Praia Brava lamentou a morte do cão. "Orelha fazia parte do cotidiano do bairro há muitos anos e era cuidado de forma espontânea por pessoas da comunidade, tornando-se um símbolo simples, porém afetivo, da convivência e da relação de cuidado que muitos mantêm com o espaço e com os animais que ali vivem", descreveu a Associação dos Moradores da Praia Brava.
Nas redes sociais, o caso ganhou grande repercussão. No domingo, 25, o governador de Santa Catarina, Jorginho Mello, havia prometido que a investigação acerca das agressões que provocaram a morte do cão Orelha teriam “novidades nos próximos dias”.