Subtenente da reserva natural de São Gabriel é preso por suspeita de feminicídio no Paraná

Militar aposentado do Exército alegou que esposa, escrivã da Polícia Federal, havia cometido suicídio; perícia técnica apontou indícios incompatíveis com a versão do suspeito

14 jul 2026 - 12h22

O subtenente da reserva do Exército Brasileiro Julio Cesar Waltmann de Freitas, de 58 anos, natural do município gaúcho de São Gabriel, foi preso em flagrante sob a acusação de cometer o crime de feminicídio contra a própria esposa, a escrivã da Polícia Federal Vanessa Marty, de 44 anos. O caso ocorreu na cidade de Cascavel, na região oeste do Paraná, e está sendo conduzido pela Delegacia de Homicídios local.

Foto: Reprodução / Porto Alegre 24 horas

O episódio violento foi registrado na noite de 24 de junho, momentos após o casal retornar de um estabelecimento comercial onde haviam acompanhado a transmissão da partida de futebol entre as seleções de Brasil e Escócia. O próprio subtenente da reserva acionou as equipes de socorro médico de urgência, alegando que sua esposa havia cometido suicídio disparando contra a própria cabeça no interior do automóvel da família.

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No entanto, a equipe de peritos criminais que compareceu ao local identificou elementos balísticos e físicos inconsistentes com a narrativa apresentada pelo marido. A arma de fogo utilizada para efetuar o disparo fatal pertencia ao acervo pessoal do militar aposentado.

Perícia contesta hipótese de suicídio

O delegado responsável pela condução do inquérito policial, Ian Batista Leão, detalhou que os exames periciais e a análise da física do disparo foram determinantes para fundamentar a prisão em flagrante do investigado.

"Confrontando os elementos apresentados pelo envolvido com a dinâmica dos fatos, a autoridade policial entendeu, nessa análise inicial do flagrante, que existiam elementos que afastavam, neste momento, a hipótese de suicídio. Entre eles, a distância da arma e a ausência de sinais e efeitos balísticos na vítima, como vestígios de pólvora e zona de chamuscamento. Quando o disparo é feito de forma próxima, há fenômenos físicos que atingem o corpo da vítima, e esses elementos não foram verificados no momento da ocorrência", explicou a autoridade policial.

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Dinâmica capturada por câmeras e histórico do casal

Além das provas técnicas e de necropsia, a Polícia Civil do Paraná anexou ao inquérito imagens capturadas por câmeras de segurança instaladas nas proximidades da residência:

Registro sonoro: Embora os dispositivos não tivessem ângulo para filmar o interior da cabine do veículo, o áudio das gravações capturou com clareza o estrondo do disparo de arma de fogo.

Tempo de reação: A análise do cronômetro das gravações indicou que o subtenente demorou cerca de três minutos após o barulho do tiro para esboçar qualquer reação de verificação do estado de saúde da esposa.

Em sua defesa prévia durante o interrogatório, Julio Cesar sustentou que o casal pretendia assistir ao segundo tempo do jogo em casa. Ele argumentou que desceu do automóvel primeiro e, ao ouvir o barulho do tiro vindo de trás, retornou e deparou-se com Vanessa gravemente ferida, mas ainda com sinais vitais, razão pela qual solicitou o apoio do serviço de resgate.

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A vítima atuava como escrivã nos quadros da Polícia Federal há cerca de 12 anos. Ela e o subtenente mantinham uma relação conjugal há cerca de 15 anos, da qual nasceu a filha do casal. Depoimentos preliminares colhidos com vizinhos e conhecidos indicaram um histórico de desentendimentos e discussões frequentes na rotina doméstica da família.

Por meio de uma nota oficial encaminhada aos veículos de comunicação, os advogados de defesa de Julio Cesar Waltmann de Freitas manifestaram que o processo deve transcorrer sob a égide dos preceitos constitucionais, recomendando o respeito absoluto aos princípios do devido processo legal, da ampla defesa, do contraditório e da presunção de inocência até o trânsito em julgado da ação.

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