O Ministério Público de Goiás (MP-GO) afirmou na denúncia, recebida pela Justiça nesta quinta-feira, 26, que o síndico Cléber Rosa de Oliveira atacou ‘sorrateiramente’ a corretora de imóveis Daiane Alves de Souza, de 43 anos. Para a Promotoria, o acusado agiu de forma livre e consciente, com “intenção homicida”.
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“Denota-se que foi utilizado meio cruel, uma vez que o autor, bem mais corpulento do que a vítima, atacou-a sorrateiramente, causou-lhe lesões que provavelmente a deixaram inconsciente”, diz o documento ao qual o Terra teve acesso.
Na denúncia, o MP aponta ainda que, ao atacar Daiane no subsolo, onde ela havia ido após ter a energia de seu apartamento ser repentinamente suspensa, ele usou luvas e cobriu o rosto “com algum objeto semelhante a um capuz, aparentemente de tecido”.
Com a corretora já inconsciente, Oliveira a teria levado de caminhonete para longe do condomínio. Só então, ele efetuou os dois disparos de arma de fogo em sua cabeça, ocultando em seguida o corpo da vítima. “Seu comportamento, portanto, foi revelador de brutalidade contrastante com o mais elementar sentimento de piedade”, diz o MP.
O promotor Wessel Teles de Oliveira também expõem que a Daiane já havia denunciado Oliveira várias vezes por ameaça, perseguição, lesão corporal, violação de domicílio, constrangimento ilegal, difamação, injúria, dentro outros, sendo o último registro feito por ela em 16 de dezembro de 2025, um dia antes de sua morte.
Ao acolher a denúncia, a juíza Vaneska da Silva Baruki, da 1ª Vara Criminal de Caldas Novas (GO), também suspendeu o segredo de justiça do processo, sob o qual o caso foi investigado pela Polícia Civil.
Na decisão, a magistrada converteu a prisão de Oliveira de temporária para preventiva. O síndico é acusado de homicídio triplamente qualificado, por motivo torpe, de forma cruel e mediante emboscada.
O síndico é acusado de homicídio triplamente qualificado, por motivo torpe, de forma cruel e mediante emboscada.
O filho de Cléber, Maicon Douglas Souza de Oliveira, chegou a ser preso junto ao pai no fim de janeiro passado, mas foi solto no dia 19 de fevereiro após a investigação concluir que ele não teve participação no crime e nem tentou atrapalhar a apuração do caso.
Vídeo do ataque
A equipe de investigação conseguiu resgatar um vídeo feito pela própria Daiane, que registrou o momento do ataque. A filmagem estava no aparelho da corretora e teria confirmado a suspeita da polícia.
O aparelho tinha sido escondido pelo síndico, e foi recuperado pelas autoridades. No conteúdo, Daiane aparece descendo ao subsolo para checar a caixa de força do seu apartamento, que estava sem energia elétrica. O síndico já estava no local e se aproximou de forma inesperada pelas costas da vítima. É nesse momento que ele a ataca sem qualquer discussão prévia. Depois, a gravação é interrompida abruptamente.
Ainda na coletiva, a Polícia Civil apontou que Daiane foi baleada ainda no subsolo por Cleber. Ela foi morta com dois tiros na cabeça. O vídeo também demonstra que a versão apresentada pelo síndico é incompatível com a alegação de que o disparo teria sido acidental ou efetuado em legítima defesa.
“Daiane foi a própria testemunha do seu homicídio. Os vídeos que ela gravou foram fundamentais para a gente entender o porquê ela tinha descido ao subsolo. Ela conseguiu gravar a própria dinâmica da sua morte”, afirmaram os investigadores.
Com o vídeo, a Polícia Civil também afirma que o síndico cometeu o assassinato sozinho. Maicon havia sido preso por suspeita de envolvimento no crime, mas foi isento. Segundo as investigações, ele entrou na história em um segundo momento -- sabendo que poderia ser preso, o síndico colocou seu filho num papel de sucessor da administração do condomínio, mesmo que de maneira informal.
Daiane foi vista pela última vez em dezembro. Seu corpo foi encontrado em janeiro, após o síndico ser preso. Ele confessou o crime e levou as autoridades até o local onde abandonou a corretora depois de morta. Já no início deste mês o exame de DNA confirmou que corpo encontrado na mata é da corretora.