'Sempre fica um sentimento de que nada será feito', diz estudante vítima de injúria racial em metrô de SP

Marcio contou ao Terra que estava tentando apartar uma briga quando foi ofendido

20 out 2026 - 21h42
(atualizado às 21h48)
Agressora repetiu diversas vezes as ofensas
Agressora repetiu diversas vezes as ofensas
Foto: Reprodução/Marcio Ferreira

O estudante Marcio Ferreira afirmou que espera que a denúncia de injúria racial sofrida no metrô de São Paulo não fique impune. Em relato ao Terra, ele falou sobre o sentimento de impotência após ser alvo de ofensas racistas e homofóbicas durante uma discussão na noite de domingo, 18. O jovem registrou um boletim de ocorrência e prestou depoimento nesta terça-feira, 20.

"Espero que seja feito a justiça. O Brasil é um país racista e casos como esse não podem passar impunes. Sempre fica esse sentimento de 'nada será feito' e é tudo o que não quero!", declarou Marcio.

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O episódio aconteceu por volta das 20h, após uma manifestação de apoiadores de Flávio Bolsonaro (PL) na Avenida Paulista, região central da capital. Em vídeos gravados pelo estudante na Estação Vila Sônia, uma mulher aparece proferindo ofensas contra ele e admite tê-lo chamado de "preto de bosta", entre outros xingamentos.

Segundo Marcio, o episódio começou com um desentendimento entre a mulher e outros três passageiros do vagão. De acordo com o relato, a discussão envolvia ofensas homofóbicas contra o grupo e se intensificou após o desembarque. O estudante contou que decidiu intervir para separar os envolvidos e pediu que a mulher fosse embora, argumentando que não valia a pena continuar a discussão. Ao mencionar que era contrário ao posicionamento político dela, mas que estava tentando evitar uma briga, passou a ser alvo dos ataques.

"Num determinado momento eu disse que mesmo ela sendo bolsonarista e eu contrário, estava ali para evitar a briga, pois não vale a pena. Após eu dizer isso as ofensas começaram. 'Ah então você está com eles? Você é o viado que come eles?' E começou me ofender", disse.

A mulher estava acompanhada da filha, que, segundo Marcio, chorava durante a discussão. Ele também afirmou que a senhora repreendeu a jovem por estar ao lado dos outros passageiros. Em outro momento, a mulher acionou um segurança do metrô, alegando ter sido agredida.

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"No momento me senti culpado por me meter, culpado por ter saído de casa, culpado por ter interagido com ela... Hoje sei que não tenho culpa, mas fica um sentimento ruim por ter passado por isso", afirmou.

Fonte: Portal Terra
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