Quem são os 'falsos médicos' investigados por exercerem a Medicina sem formação por dois anos em SP

Marcos Phelipe de Barros foi detido na terça, em operação policial. O segundo suspeito, Mayke César Silva, está foragido. Defesas não foram localizadas

27 mai 2026 - 09h26
(atualizado às 10h14)

A Polícia Civil de São Paulo deflagou nesta terça-feira, 26, a segunda fase da Operação Hipócrates, com o objetivo de desarticular um esquema de falsos médicos em uma clínica particular da zona leste da capital paulista.

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Ao todo, foram expedidos dois mandados de prisão. Marcos Phelipe de Barros foi detido por agentes da Delegacia de São Miguel Paulista. O segundo suspeito, Mayke César Silva, já havia sido alvo da primeira fase da mesma operação, em dezembro do ano passado, e está foragido desde então. Conforme a polícia, ele fugiu para o Chile. A reportagem busca localizar a defesa dos investigados.

Conforme as investigações, os dois atuaram por dois anos como médicos do Hospital Jardim Helena, em São Miguel Paulista. A dupla atuava como plantonistas aos finais de semana e, chegaram a realizar mais de 2 mil atendimentos no período. O Estadão busca contato com a clínica.

O inquérito apura a ocorrência de ao menos nove mortes de pacientes que teriam sido atendidos pelos chamados "falsos médicos". O delegado Mariano de Araújo, titular do 22° DP, afirma que pelo menos um dos óbitos teve como causa da morte um erro de procedimento médico. Os outros oito óbitos ainda aguardam a conclusão dos respectivos laudos.

Conforme as investigações, Mayke é biomédico formado, enquanto Marcos, embora tenha cursado alguns semestres da faculdade de Medicina, não possui formação universitária. Eles se conheciam e eram próximos.

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Funcionários do hospital ouvidos no inquérito, disseram que os suspeitos apresentavam comportamento "infantil", "irresponsável" e demonstravam inexperiência no exercício das atividades profissionais. Eles também chegavam a dar ordens a outros trabalhadores enquanto dormiam em serviço.

Ainda de acordo com a Polícia Civil, o pai de Marcos Phelipe de Barros também já teria exercido ilegalmente a profissão de Medicina. No ano passado, o homem foi surpreendido realizando tratamento médico em dois criminosos foragidos em São Mateus (zona leste).

O homem não teve a identidade revelada e a polícia também não forneceu mais detalhes do caso - como a data precisa e os motivos para a pratica das ilegalidades.

"O pai já respondeu e está em liberdade", disse o secretario da Segurança Pública do Estado, Nico Gonçalves. "Foi no ano passado, ocorrência do ano passado", acrescentou Artur Dian, delegado-geral da Polícia Civil de São Paulo.

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catastrófico", acrescentou.

Donos da clínica são afastados

A polícia chegou aos dois suspeitos por meio de uma denúncia feita ao sistema do Disque-Denúncia. A partir disso, os investigadores passaram a apurar o caso e identificaram inicialmente que Mayke atuava como falso médico.

Os policiais deflagraram a primeira fase da Operação Hipócrates, mas não conseguiram localizá-lo. Para escapar do cerco policial, ele fugiu para o Chile, onde permanece atualmente, segundo a polícia. De acordo com o delegado Araújo, os responsáveis pela clínica onde a dupla atuava teriam agido para dificultar o trabalho policial à época.

Nesta nova etapa da operação, deflagrada nesta terça, Daniela Antunes Krauthamer, gestora administrativa do Hospital Jardim Helena, e Fábio das Neves Filho, diretor clínico do local, foram alvos de medidas cautelares (apreensão de passaporte) e afastados de suas funções. Eles foram ouvidos e liberados.

"A direção foi alertada e estava ciente do que eles faziam", disse o delegado. A dupla não foi detida, mas continuará sendo investigada. A defesa de ambos não foi localizada.

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