Pai de falso médico preso em SP também já tinha sido detido por exercer medicina de forma ilegal

De acordo com a Polícia Civil, flagrante ocorreu em 2025 quando suspeito foi surpreendido realizando tratamento médico em dois criminosos foragidos em São Mateus,

27 mai 2026 - 09h23

O pai de Marcos Phelipe de Barros, preso nesta terça-feira, 26, por atuar como médico sem formação em um hospital na zona leste de São Paulo, também já exerceu ilegalmente a profissão de Medicina.

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De acordo com a Polícia Civil, o homem foi surpreendido realizando tratamento médico em dois criminosos foragidos em São Mateus (zona leste). O homem não teve a identidade revelada e a polícia também não forneceu mais detalhes do caso - como a data precisa e os motivos para a pratica das ilegalidades.

"O pai já respondeu e está em liberdade", disse o secretario da Segurança Pública do Estado, Nico Gonçalves. "Foi no ano passado, ocorrência do ano passado", acrescentou Artur Dian, delegado-geral da Polícia Civil de São Paulo.

As declarações foram dadas durante coletiva de imprensa realizada para detalhar a segunda fase da Operação Hipócrates, deflagrada para desarticular um esquema de falsos médicos em um hospital privado da região de São Miguel, também na zona leste da capital paulista.

Dois mandados de prisão foram expedidos pela Justiça. Marcos Phelipe de Barros foi detido, enquanto segundo suspeito, Mayke César Silva, não foi localizado. Ele já havia sido alvo da primeira fase da mesma operação, em dezembro do ano passado, e está foragido desde então. Conforme a polícia, ele fugiu para o Chile. A reportagem busca contato com a defesa de ambos.

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Sem formação em Medicina, os dois atuaram por dois anos como médicos do Hospital Jardim Helena, em São Miguel Paulista. A dupla atuava como plantonistas aos finais de semana e, segundo as investigações, chegaram a realizar mais de 2 mil atendimentos no período. O Estadão busca contato com a clínica.

Falso médico preso nesta terça foi flagrado aplicando injeção em uma mulher na rua
Falso médico preso nesta terça foi flagrado aplicando injeção em uma mulher na rua
Foto: Reprodução / Estadão

Ao menos nove mortes

O inquérito apura a ocorrência de ao menos nove mortes de pacientes que teriam sido atendidos pelos chamados "falsos médicos". O delegado Mariano de Araújo, titular do 22° DP, afirma que pelo menos um dos óbitos teve como causa da morte um erro de procedimento médico. Os outros oito óbitos ainda aguardam a conclusão dos respectivos laudos.

"Desses nove, já temos um laudo do IML (Instituto Médico Legal) atestando que o erro de procedimento deu causa mortis", disse o delegado Araújo. Ele deu detalhes do caso.

"Era uma senhora que estava com problemas no coração. Ela ficou oito horas sem que fosse feito um exame cardíaco que apontaria que ela estava tendo um aneurisma na aorta. por conta desse intervalo de tempo tão longo. O que aconteceu? Ela morreu".

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A lista de pacientes atendidos por Marcos Phelipe e Mayke ainda está sendo periciada. O número de mortes relacionadas aos dois suspeitos, portanto, pode aumentar, dizem os investigadores. Um vídeo obtido pela reportagem mostra Marcos Phelipe aplicando uma injeção em uma mulher em via pública. A substância usada, segundo a polícia, era Mounjaro.

Falsidade ideológica

Para se passar por médicos, os investigados utilizaram informações verdadeiras de profissionais já formados.

Marcos Phelipe de Barros se apropriou de dados de um médico identificado pelo nome de Nicolas, que atua em Marília, no interior do Estado. Já Mayke se passava por um homem que também tem o nome de Mayke (os sobrenomes não foram informados) e que exerce a profissão em Catanduva, também no interior paulista.

"Os bandidos tinham cópias do CRM (Conselho Regional de Medicina) e do diploma", disse o delegado Araújo, que citou que os médicos verdadeiros chegaram a relatar problemas por conta da atuação clandestina dos suspeitos. "Não se conheciam (os falsos médicos), nunca tiveram contato. O Nicolas nunca esteve nesta região da zona leste", afirmou.

Conforme as investigações, Mayke é biomédico formado, enquanto Marcos, embora tenha cursado alguns semestres da faculdade de Medicina, não possui formação universitária. Eles se conheciam, eram próximos. Segundo a polícia, Marcos Phelipe também chegou a exercer ilegalmente a Medicina em Taboão da Serra.

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Funcionários da clínica de São Matheus, ouvidos no inquérito, disseram que os suspeitos apresentavam comportamento "infantil", "irresponsável" e demonstravam inexperiência no exercício das atividades profissionais. Eles também chegavam a dar ordens a outros trabalhadores enquanto dormiam em serviço.

"A moça já estava diagnosticada com dengue. Chegou lá, com nível de plaquetas muito baixa. Eles não sabiam como proceder. Ela passou a ficar em uma situação delicada até que teve uma parada cardíaca e eles não sabiam como ressuscitar", lembrou o delegado ao se referir a outro caso que levou à morte de uma paciente.

"Era uma manobra que, para alguém da Medicina, com conhecimento técnico, seria simples. (Mas) O resultado foi catastrófico", acrescentou.

Donos da clínica são afastados

A polícia chegou aos dois suspeitos por meio de uma denúncia feita ao sistema do Disque-Denúncia. A partir disso, os investigadores passaram a apurar o caso e identificaram inicialmente que Mayke atuava como falso médico.

Os policiais deflagraram a primeira fase da Operação Hipócrates, mas não conseguiram localizá-lo. Para escapar do cerco policial, ele fugiu para o Chile, onde permanece atualmente, segundo a polícia. De acordo com o delegado Araújo, os responsáveis pela clínica onde a dupla atuava teriam agido para dificultar o trabalho policial à época.

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Nesta nova etapa da operação, deflagrada nesta terça, Daniela Antunes Krauthamer, gestora administrativa da Clínica Jardim Helena, e Fábio das Neves Filho, diretor clínico do local, foram alvos de medidas cautelares (apreensão de passaporte) e afastados de suas funções. Eles foram ouvidos e liberados.

"A direção foi alertada e estava ciente do que eles faziam", disse o delegado. A dupla não foi detida, mas continuará sendo investigada. A defesa de ambos não foi localizada.

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