Polícia Civil investiga golpe de reconhecimento facial em falsas entrevistas de emprego em Gravataí

Criminosos utilizavam fotos para crachá para liberar financiamentos e comprar veículos em nome de candidatos; suspeito com histórico de fraudes foi solto após audiência

25 mar 2026 - 10h18
(atualizado às 10h21)

A Polícia Civil de Gravataí, na Região Metropolitana de Porto Alegre, apura um esquema de estelionato que utilizava processos seletivos forjados para roubar dados de reconhecimento facial. O suspeito, que atuava como recrutador, alugava salas em espaços de coworking com documentos falsos para dar aparência de legitimidade às entrevistas presenciais. Durante a abordagem, ele solicitava fotos e vídeos das vítimas sob o pretexto de confeccionar crachás corporativos, mas utilizava as imagens para tentar liberar empréstimos, financiamentos de veículos e outras operações bancárias indevidas.

Uma das vítimas, uma profissional de recursos humanos desempregada, relatou que percebeu o golpe após receber ligações sobre a tentativa de financiamento de um carro em seu nome, poucos dias após ser informada de sua suposta aprovação no emprego. De acordo com a delegada Luana Medeiros, responsável pelo caso, o homem é considerado a "ponta" de uma rede criminosa com atuação nacional, recebendo cerca de mil reais por cada operação bem-sucedida em nome de terceiros. O investigado possui um histórico de crimes de fraude que remonta a 2011 e seu celular foi apreendido para perícia.

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O suspeito chegou a ser preso em flagrante com auxílio de populares após a vítima retornar ao local da entrevista, mas foi colocado em liberdade após audiência de custódia. O Tribunal de Justiça do Rio Grande do Sul informou que foram aplicadas medidas cautelares, como a proibição de contato com a vítima e o comparecimento mensal em juízo, considerando que não houve violência física e que não houve pedido de prisão preventiva por parte do Ministério Público ou da autoridade policial no momento. Especialistas em segurança digital alertam que dados de reconhecimento facial não devem ser fornecidos sem a verificação rigorosa da origem da solicitação, dado que o estado registrou mais de 85 mil casos de estelionato no último ano.

Confira a manifestação do TJRS na íntegra:

"A audiência de custódia foi realizada em 05/03/2026, ocasião em que foi homologado o auto de prisão em flagrante e concedida liberdade provisória, com aplicação de medidas cautelares. Entre elas: comparecimento mensal em juízo para informar e justificar suas atividades, manutenção do endereço atualizado, além da proibição de se aproximar da vítima, de sua residência e de manter qualquer tipo de contato com ela.

O Ministério Público manifestou-se pela homologação do flagrante e pela concessão da liberdade provisória, com imposição de medidas cautelares. Também não houve pedido de prisão pela autoridade policial. A Defesa requereu a liberdade provisória.

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A decisão ainda levou em consideração a inexistência de antecedentes criminais relevantes, conforme certidões juntadas aos autos; ausência de atos de violência ou grave ameaça à pessoa e o potencial lesivo ordinário da conduta. Diante das peculiaridades do caso, entendeu-se necessária a imposição de medidas cautelares diversas da prisão, para assegurar o regular andamento do processo e reduzir o risco de reiteração.

O prazo para revisão da necessidade de manutenção das medidas cautelares é de 90 dias."

Com informações: G1

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