A professora e pesquisadora Soledad Palameta Miller, da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), foi presa na segunda-feira, 23, suspeita de furtar material biológico da universidade.
Ela foi detida em flagrante pela Polícia Federal durante uma operação em que os agentes cumpriam dois mandados de busca e apreensão expedidos pela 9ª Vara Federal de Campinas. Procurada, a defesa da docente disse que irá se manifestar apenas em juízo.
Nascida em Rosário, na Argentina, onde também se formou, Soledad é docente na Faculdade de Engenharia de Alimentos (FEA) da Unicamp desde agosto de 2025, de acordo com seu perfil no LinkedIn. No entanto, mantém vínculos com a universidade há mais de dez anos.
Soledad se formou no curso de Biotecnologia na Universidade Nacional de Rosário, em 2013, e optou por seguir uma carreira acadêmica. Ingressou na Unicamp em 2014 e se tornou doutora em Ciências na área de Fármacos, Medicamentos e Insumos para Saúde pela universidade, em 2019.
Entre 2017 e 2022, atuou como analista no Centro Nacional de Pesquisa em Energia e Materiais (CNPEM), em projetos voltados à imunoterapia contra o câncer.
Posteriormente, realizou pós-doutorado na Unicamp entre 2022 e 2025, com pesquisa voltada ao desenvolvimento de métodos alternativos para diagnóstico de doenças aviárias e à produção de vacinas veterinárias.
De acordo com o site da universidade, também participou como pesquisadora colaboradora do projeto Previr, do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação, voltado à vigilância de vírus zoonóticos em animais silvestres.
A prisão dela nesta semana ocorreu no âmbito de um inquérito instaurado após a própria Unicamp comunicar à PF o desaparecimento de material biológico do Laboratório de Virologia e Biotecnologia Aplicada, que pertence ao Instituto de Biologia e do qual a docente é coordenadora.
As ações realizadas contaram com apoio técnico da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), segundo a Polícia Federal. A PF informou ainda que o material furtado já foi localizado e encaminhado ao Ministério da Agricultura e Pecuária para análise.
Embora o conteúdo específico das substâncias biológicas não tenha sido divulgado, Soledad irá responder pelos crimes de furto qualificado, fraude processual "e transporte irregular de organismo geneticamente modificado", informou a PF.
Já a Unicamp afirmou, em nota, que colabora com as investigações, mas que irá preservar detalhes do caso para não comprometer o andamento das apurações.