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Idosa é roubada, dopada e morta por quadrilha, diz Polícia do Rio

Vítima tinha R$ 5 milhões no banco; quadrilha movimentou quase R$ 1 milhão em apenas um dia

16 mai 2022 - 20h52
(atualizado às 21h03)
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Crime é investigado pela Polícia Civil, que já identificou quatro acusados
Crime é investigado pela Polícia Civil, que já identificou quatro acusados
Foto: Tomaz Silva / Agência Brasil / Estadão

RIO - Uma idosa de 79 anos que morava sozinha no Rio de Janeiro e tinha R$ 5 milhões no banco foi dopada e mantida em cárcere privado por uma quadrilha que roubou parte de seu dinheiro. Por conta dos remédios, a mulher acabou morrendo, e foi enterrada com um nome falso. O caso é investigado pela Polícia Civil do Rio, que já identificou quatro acusados pelo crime. Eles devem responder por extorsão com resultado morte, e podem ser punidos com até 30 anos de prisão. O caso foi revelado neste domingo, 15, pelo "Fantástico", da TV Globo.

Segundo a Polícia Civil, a professora aposentada Sônia Maria Pilar da Costa morava sozinha numa casa de Vila Isabel (zona norte do Rio) e era dona de 20 imóveis naquela região, além de ser herdeira de uma quinta (propriedade rural) em Portugal - sua família é portuguesa. Ela tinha pelo menos R$ 5 milhões aplicados em bancos, além do dinheiro guardado em um cofre, em casa. Saudável e de rotina simples, ela própria negociava e recebia os aluguéis diretamente de seus inquilinos, com quem mantinha relacionamento formal - não costumava estabelecer laços de amizade com eles.

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Em 2020, uma nova inquilina - Danielle Esteves de Pinho - ocupou um dos imóveis de Sônia e estabeleceu amizade mais estreita com ela. Depois disso, enquanto conversava com dois inquilinos sobre a renovação dos respectivos contratos de aluguel, a proprietária desmaiou. Quando a ambulância chegou para levá-la ao hospital, Danielle também apareceu, para saber o que havia ocorrido. No hospital, o médico avaliou que Sônia estava bem de saúde, apenas desorientada.

Em outubro de 2020, Sônia desapareceu de casa, sem dar notícias a nenhum dos inquilinos. No mês seguinte, os inquilinos receberam uma carta do escritório de advocacia Soares de Andrade Advogados Associados informando que, a partir daquela data, os aluguéis deveriam ser pagos ao advogado José Pinto Soares de Andrade. Os inquilinos estranharam a situação e denunciaram o desaparecimento de Sônia à Delegacia de Descoberta de Paradeiros da Polícia Civil, que então começou a investigar o caso.

Segundo os policiais, desde que se tornara inquilina de Sônia, Danielle começou a dopá-la com remédios. A proprietária foi levada várias vezes ao banco por Andrea da Silva Cristina e Diana Regina dos Santos Simões e movimentou cerca de R$ 800 mil - numa única operação, foram transferidos R$ 430 mil para a conta de Andrea. Segundo a polícia, o advogado Soares de Andrade recebeu outros R$ 200 mil, usados para comprar um carro conversível.

A idosa foi levada de casa para um apartamento em Copacabana, onde teria sido mantida dopada, em cárcere privado. Mas os remédios acabaram provocando a morte de Sônia, resultado não planejado pela quadrilha.

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Os criminosos conseguiram enterrar o corpo da idosa com identidade falsa - como Aspásia Gomes, suposta moradora da rua Regente, no centro do Rio - no cemitério do Caju, na zona norte do Rio. O corpo foi exumado e só foi identificado por conta de uma cirurgia ortopédica rara a que Sônia havia sido submetida.

A inquilina Danielle, o advogado Andrade e Andrea foram presos, mas Danielle conseguiu suspender a ordem de prisão. Ao "Fantástico", a defesa de Danielle afirmou que ela é inocente e confia na Justiça. A defesa de Andrade afirmou que a acusação atribuída ao seu cliente é "infundada" e que a inocência dele será "esclarecida". As defesas de Andrea e da quarta mulher acusada (Diana Regina dos Santos Simões, que está sendo procurada pela polícia para prestar depoimento) não foram localizadas.

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