Greve de motoristas de ônibus da antiga Transwolff paralisa 34 linhas na zona sul de SP

Paralisação prejudica 267 mil passageiros na capital paulista; Prefeitura aciona o Paese para manter circulação

19 out 2026 - 07h47
(atualizado às 08h55)
Resumo
Uma greve de motoristas que operavam pela antiga Transwolff paralisou 34 linhas de ônibus na zona sul de São Paulo, afetando 267 mil passageiros. Os trabalhadores cobram repasses do FGTS, INSS e melhorias em benefícios. A SPTrans acionou o plano emergencial Paese, classificou a greve como ilegal por falta de aviso prévio e afirmou que os depósitos são feitos em juízo. A prefeitura assumiu a operação após romper com a viação, investigada pelo Ministério Público por suposta ligação com o PCC.

Motoristas de ônibus que atuam no lote D10, operado pela antiga Transwolff, estão em greve na manhã desta segunda-feira, 19, na zona sul de São Paulo.

Os trabalhadores reivindicam a regularização de depósitos do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS) e do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), além de melhorias nos benefícios.

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A paralisação afeta 34 linhas de ônibus e prejudica cerca de 267 mil passageiros, segundo a Prefeitura. Os serviços do lote D10 estão sob responsabilidade da SPTrans desde dezembro de 2025, quando a administração municipal decretou a caducidade do contrato com a Transwolff. As linhas do lote D11 operam normalmente.

Para atender os passageiros durante a greve, a Prefeitura acionou o Plano de Apoio entre Empresas em Situação de Emergência (Paese). A administração municipal também solicitou reforço policial para as duas garagens dos lotes.

Segundo a Companhia de Engenharia de Tráfego (CET), a lentidão no trânsito da zona sul chegou a 192 quilômetros no início da manhã.

Foto ilustrativa: Prefeitura aciona o Paese para atender os passageiros afetados
Foto ilustrativa: Prefeitura aciona o Paese para atender os passageiros afetados
Foto: TABA BENEDICTO/ ESTADAO / Estadão

A SPTrans classificou a paralisação como ilegal, sob a justificativa de que não houve o aviso prévio de 72 horas exigido pela legislação para greves no transporte coletivo. A empresa também afirmou que os salários e benefícios dos funcionários estão em dia.

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Entre as reivindicações dos trabalhadores também estão melhorias no vale alimentação e questões relacionadas ao plano de saúde. Sobre a assistência médica, a SPTrans informou que realiza uma licitação para contratar um novo fornecedor. Até a conclusão do processo, os funcionários recebem uma compensação financeira prevista em acordo coletivo.

Em relação ao FGTS e ao INSS, a empresa pública afirmou que os depósitos estão sendo feitos integralmente em juízo, enquanto aguarda uma decisão judicial. Segundo a SPTrans, as obrigações sob sua responsabilidade estão em dia.

A antiga Transwolff deixou de operar os lotes D10 e D11 em dezembro de 2025, após a Prefeitura assumir os serviços. Segundo a administração municipal, a contratação de uma empresa para retirar os adesivos antigos dos veículos foi concluída na quinta-feira, 15, e os trabalhos devem começar nos próximos dias.

Suspeita de ligação com o PCC levou Prefeitura a intervir na Transwolff

A Transwolff está entre as empresas de ônibus investigadas pelo Ministério Público de São Paulo (MP-SP) por suspeita de ligação com o Primeiro Comando da Capital (PCC). A apuração aponta possíveis conexões entre o crime organizado, contratos públicos de transporte e articulações políticas na capital paulista. Ao todo, 12 empresas que têm ou tiveram contratos com a Prefeitura são citadas na investigação.

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A suspeita levou a Prefeitura a intervir na empresa em 2024, após uma operação do Ministério Público. O vínculo da Transwolff com a gestão municipal terminou em dezembro de 2025.

A investigação teve novos desdobramentos em 17 de outubro, com a deflagração da Operação Vectura Corrupta, que cumpriu mandados de prisão e de busca e apreensão. Entre os alvos estão o ex-presidente da SPTrans Levi dos Santos Oliveira, e o ex-presidente da Câmara Municipal Milton Leite (União), ambos presos.

Em nota, a defesa da Transwolff afirma que contesta na Justiça as imputações feitas pelo Ministério Público e sustenta a inocência da empresa. A Prefeitura declarou que colabora com as autoridades nas investigações.

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