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D. Cláudio Hummes deixou legado 'muito grande' à Igreja e sociedade, diz arcebispo de SP

Defensor do meio ambiente, da Amazônia e dos povos indígenas, o cardeal se manifestava preocupado com "entraves ao reconhecimento de direitos constitucionais", conforme d. Odilo Pedro Scherer

4 jul 2022 - 19h52
(atualizado às 20h25)
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O arcebispo de São Paulo, o cardeal d. Odilo Pedro Scherer, destacou que d. Claúdio Hummes "deixou um legado muito grande de serviços à Igreja, mas também de iniciativas que visavam a beneficiar o povo", em coletiva de imprensa, nesta segunda-feira, 4. Ele também contou que o cardeal se mostrava preocupado com "rumos que colocavam entraves ao reconhecimento de direitos constitucionais" no País.

Nome forte na Igreja Católica, d. Cláudio Hummes, que era bastante próximo do papa Francisco, morreu aos 87 anos na manhã desta segunda. O corpo do arcebispo emérito de São Paulo será velado na Catedral Metropolitana da Sé, das 19 horas desta segunda-feira até as 10 horas de quarta-feira, 6.

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"Sempre admirei d. Cláudio por sua visão das coisas, visão larga, e a firmeza com que fazia suas propostas", falou Scherer. Ele foi ordenado bispo por Hummes e acompanhou-o de perto nos últimos dias. D. Cláudio enfrentava um câncer de pulmão e, entre março e fevereiro, afastou-se de seus encargos para cuidar da saúde.

Scherer contou que, por conta da condição em que se encontrava, Hummes já não conseguia acompanhar e verbalizar sobre questões caras por ele, como os direitos ambientais e dos indígenas. "Mas ele se manifestava preocupado, sim, com certos rumos que colocavam entraves ao reconhecimento de direitos constitucionais dos povos indígenas, para o desenvolvimento das realidades dos povos da Amazônia, para proteção do meio ambiente e para a pobreza."

Em seu discurso de renúncia à presidência da Conferência Eclesial da Amazônia (Ceama), no final de março, d. Cláudio disse que a pandemia da covid-19 mostrou o melhor e o pior do homem. "Da negação anti-vacina às mais fortes expressões de solidariedade possíveis." E destacou que a crise afetou desproporcionalmente a Amazônia. "O impacto tem sido muito maior, revelando as outras pandemias de exclusão, desigualdade e racismo presentes neste território."

Depois de voltar de Roma, em 2011, onde atuou ao lado do Papa Bento XVI como prefeito da Congregação para o Clero, d. Cláudio dedicou-se a reforçar a presença da Igreja na região amazônica. Conforme Scherer, o cardeal revelou que, desde a juventude, sonhava em ser missionário na Amazônia.

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'Estava bem tranquilo'

Dom Angelo Ademir Mezzari, bispo auxiliar da Arquidiocese de São Paulo, também lamentou nesta segunda-feira, 4, a morte de d. Cláudio Hummes. "Recebo com muita tristeza, mas também na esperança da vida da Ressurreição a notícia da morte do cardeal dom Cláudio Hummes", afirmou ao Vatican News. Na Itália desde a semana passada, ele ainda contou que recebeu "a responsabilidade de organizar e coordenar a celebração das missas com dom Cláudio sempre às 7h30", o qual não se sentia mais em condições de presidir sozinho as Eucaristias desde o início de março.

Ao portal do Vaticano, d. Angelo celebrou e agradeceu a oportunidade do convívio diário com o amigo. "Estes momentos pessoais, quando a doença estava se agravando, foram para mim de grande sinal e grande testemunho. Tínhamos a graça também, pelo menos nos primeiros tempos, logo depois da missa, de tomar café com ele e, claro, também recebia outros bispos e sacerdotes que vinham."

Segundo o relato de d. Angelo, d. Cláudio teria esperado a "irmã morte" e "não queria se submeter ao tratamento de saúde que poderia deixar de viver a dor e o sofrimento" nas suas últimas semanas de vida. "Mas, que testemunho! Estava bem tranquilo, claro, respirando com dificuldade, mas ele esperou na fé, no amor, na certeza de que Cristo estava com ele; a irmã morte que chegava. Um verdadeiro franciscano!."

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"Mesmo nos últimos tempos, quando devido o avançamento do câncer, com as dificuldades no pulmão, também de respiração, teve alguns dias no hospital; o momento da Consagração era muito sagrado e ele fazia um esforço enorme - sobretudo nos últimos tempos - para rezar em voz alta também o momento da Consagração do pão e do vinho", continuou d. Angelo.

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