CPTM diz que greve afeta quase 1 milhão de passageiros com pauta 'que não é trabalhista'

Funcionários reivindicam reestatização das linhas concedidas à iniciativa privada, além da garantia de que os trabalhadores não serão demitidos após os ramais passarem a ser de responsabilidade da concessionária TriviaTrens

5 ago 2026 - 10h41

O presidente da CPTM, Michael Cerqueira, disse nesta quarta-feira, 5, que a greve de ferroviários afeta um milhão de pessoas e é motivada por questões políticas e não trabalhistas. A categoria paralisa pelo segundo dia consecutivo a operação das Linhas 11-Coral, 12-Safira e 13-Jade. O sindicato nega e afirma que cobra a garantia da manutenção de empregos após as concessões.

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"Infelizmente eles não entendem ou não acatam o que está sendo colocado (...) eles estão politizando a pauta, eles não estão discutindo uma questão trabalhista, eles estão querendo discutir reestatização e que não é uma pauta trabalhista, e prejudicando a população. Nós não podemos prejudicar a população por uma questão que nada tem a ver com uma pauta trabalhista, momento eleitoral, questão política", afirmou.

Os funcionários reivindicam a reestatização das três linhas, que foram concedidas à iniciativa privada, além da garantia de que os trabalhadores não serão demitidos após os ramais passarem a ser de responsabilidade da concessionária TriviaTrens.

Funcionários das linhas 11-Coral, 12-Safira e 13-Jade, atualmente operadas pela Companhia Paulista de Trens Metropolitanos (CPTM), continuam em greve nesta manhã de quarta-feira, (5), por tempo indeterminado.
Funcionários das linhas 11-Coral, 12-Safira e 13-Jade, atualmente operadas pela Companhia Paulista de Trens Metropolitanos (CPTM), continuam em greve nesta manhã de quarta-feira, (5), por tempo indeterminado.
Foto: Fábio Vieira/Estadão / Estadão

De acordo com os grevistas, 2.300 pessoas correm o risco de perder o emprego caso os trabalhadores da companhia não sejam reabsorvidos quando as atividades voltarem a ser controladas pela TriviaTrens.

Na avaliação do presidente da CPTM, não é necessário formalizar o compromisso de garantir os empregos uma vez que não há um plano de demissão.

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"Nós estamos aqui dizendo que eu preciso escrever que os empregos estão garantidos, mas aonde foi dito que as pessoas serão demitidas? (...) O que estava acontecendo era um realocamento desses colaboradores, a gente precisa de tempo, isso não acontece da noite para o dia, a gente precisa de tempo, a gente precisa de negociação, os colaboradores precisam aceitar serem realocados. Não é puxando faca, não é fazendo pressão, não é usando a população como massa de manobra, que vai fazer com que o governo do Estado tome uma decisão diferente da que já foi tomada."

Ainda segundo Cerqueira, o sindicato segue sem cumprir a determinação judicial e opera com um efetivo abaixo do mínimo.

"mas o contingente continua abaixo, o desrespeito à decisão do TRT continua acontecendo, (...) a questão da imposição da multa está mantida pelo Tribunal".

A categoria e o governo devem se reunir por volta das 12h em uma audiência de conciliação "A gente espera que o sindicato tenha o bom senso de aceitar, a gente pode manter qualquer conversa e negociação como a gente vem mantendo há mais de um ano com eles, mas a população não pode ser prejudicada."

Greve entra no segundo dia consecutivo.
Foto: Fábio Vieira/Estadão / Estadão

Projeto de Lei

Os funcionários têm defendido o Projeto de Lei 730/2025, do deputado federal Guilherme Cortez (PSOL), que autoriza justamente a absorção dos trabalhadores da CPTM das Linhas 11 - Coral, 12 - Safira e 13 - Jade por órgãos ou entidades da Administração Pública direta ou indireta do Estado, após o serviço passar a ser feito por empresa privada.

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Desde o último dia 24, as três linhas voltaram a ser operadas pela CPTM por determinação do governo de São Paulo e da Agência de Transporte do Estado de São Paulo (Artesp). A companhia ficará à frente do serviço por 90 dias.

A decisão foi tomada após falhas nas operações na mesma semana em que a TriviaTrens assumiu o serviço. Em uma das ocorrências, no dia 23 de julho, um foco de incêndio foi registrado em uma composição nas proximidades da Estação Bresser-Mooca, gerando transtornos entre os passageiros e no transporte público da capital.

Situação das linhas, segundo a CPTM:

  • Linha 10-Turquesa: operação normal (não faz parte da greve)
  • Linha 11-Coral: operação parcial (circulação interrompida entre as estações Estudantes e Guaianases. O trajeto ocorre apenas entre Palmeiras-Barra Funda e Guaianases)
  • Linha 12-Safira: operação parcial (circulação interrompida entre as estações Calmon Viana e Engenheiro Goulart. O trajeto é feito somente entre Brás e Engenheiro Goulart)
  • Linha 13-Jade: linha está circulando com maiores intervalos entre as estações Engenheiro Goulart e Aeroporto Guarulhos; há atendimento do sistema PAESE de reforço de ônibus em frente às estações

Plano de contingência

Para minimizar os impactos, o Estado mantém um plano de contingência, com 195 ônibus do Plano de Apoio entre Empresas em Situação de Emergência (PAESE), integração entre modais e monitoramento da operação ao longo do dia. Na terça-feira, foram 128 ônibus.

A CPTM acionou seu plano de contingência, priorizando o atendimento nos trechos de maior demanda. A Linha 11-Coral, que tem operação parcial entre as estações Palmeiras-Barra Funda e Guaianases, conta com 95 ônibus entre Guaianases e Estudantes. Na Linha 12-Safira, onde os trens circulam entre as estações Brás e Engenheiro Goulart, há 90 ônibus entre Calmon Viana e Engenheiro Goulart.

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Já a linha 13-Jade conta com 10 ônibus para fazer o trajeto entre as estações Aeroporto-Guarulhos e Engenheiro Goulart. O Expresso Aeroporto não está operando. As linhas 7-Rubi, 8-Diamante, 9-Esmeralda, que são concedidas, e a 10-Turquesa operam normalmente.

A TIC Trens, responsável pela linha 7-Rubi, reforçou o atendimento na estação Palmeiras-Barra Funda e opera com frota máxima nos horários de pico. A concessionária mantém monitoramento permanente da demanda e poderá ampliar a oferta de trens ao longo do dia, caso necessário.

No Metrô, a linha 3-Vermelha mantém operação especial para minimizar os impactos da greve dos ferroviários. Já as demais linhas estão com operação normal. A linha, que atende parte da zona leste da capital e faz integração com as linhas afetadas, conta com composições adicionais em circulação.

Funcionamento do Metrô de São Paulo

  • Linha 1-Azul: operação normal
  • Linha 2-Verde: operação normal
  • Linha 3-Vermelha: operação especial
  • Linha 4-Amarela: operação normal
  • Linha 5-Lilás: operação normal
  • Linha 15-Prata: operação normal
  • Linha 17-Ouro: operação normal
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