A Prefeitura de São Paulo anunciou nesta segunda-feira, 9, novas medidas de segurança para o carnaval de rua. Agentes da gestão municipal ficarão dentro dos trios dos megablocos na tentativa de evitar novos transtornos. A medida ocorre após superlotação, tumulto e congestionamento em desfiles no último fim de semana, com foliões passando mal, público pressionado contra grades de contenção e pessoas subindo em beirais e banheiros químicos.
Houve caos na Rua da Consolação no domingo, 8, devido à concentração simultânea de dois megablocos. O bloco Skol, cuja principal atração era o DJ Calvin Harris, e o Acadêmicos do Baixo Augusta foram marcados para desfilar no mesmo endereço em horários próximos (um começava às 11h e o outro, às 14h).
No sábado, 7, na região do Parque do Ibirapuera, durante o Quem pede, pede, com Ivete Sangalo, o desfile chegou a ser interrompido por 50 minutos por causa da superlotação.
A Prefeitura mudou o esquema para os megablocos no Ibirapuera. O trajeto na Avenida Pedro Álvares Cabral terá mais duas rotas de saída, uma pelo estacionamento do prédio da Assembleia Legislativa e outra pela Rua Abílio Soares. Foi justamente próximo à Alesp onde houve mais empurra-empurra no show da Ivete.
A gestão não esclareceu se o itinerário da Consolação, que ainda vai receber dois megablocos, terá ajustes. Mas determinou que postos de saúde móveis fiquem dentro do próprio circuito dos megaeventos.
"A Prefeitura reitera que 6,4 mil GCMs estão destinados ao policiamento no Carnaval, 20% a mais que no ano passado. Os circuitos dos megablocos contam ainda com 482 câmeras do Smart Sampa e 23 drones para monitoramento durante todos os desfiles."
Na manhã desta segunda, o prefeito Ricardo Nunes (MDB) classificou o primeiro fim de semana de folia na cidade como "sucesso". "Se considerarmos a quantidade de pessoas e as poucas ocorrências, a conclusão é que foi um sucesso", disse em entrevista à GloboNews. Na avaliação dele, a infraestrutura montada pela gestão para atender os foliões "foi perfeita".
Em nota na noite desta segunda, a Prefeitura voltou a dizer que o "pré-carnaval foi um sucesso, sem incidente grave envolvendo os foliões". "O desfile do DJ Calvin Harris, no domingo, aconteceu durante todo o percurso da Rua da Consolação seguido por milhares de pessoas em clima de festa", declarou.
A gestão reforçou que o plano de contingência foi acionado e que as forças de segurança controlaram a situação. Segundo a administração, cinco pessoas precisaram ser levadas a hospitais, mas já foram liberadas.
Coordenador operacional da Polícia Militar e responsável pela organização do efetivo no carnaval, o coronel Carlos Henrique Lucena defendeu a utilização de gradis de metal nos blocos, medida exigida pela Prefeitura. "Os gradis são móveis justamente para isso, para ter a possibilidade de abertura, ter a possibilidade de alargamento, de aumentar o fluxo. Por isso, eles precisam ser móveis, para ter a possibilidade de realizar as técnicas de descompressão", disse ao Estadão. "Ficamos felizes por não ter pessoas feridas gravemente nesse evento (nos megablocos da Consolação)."
Caos na Consolação
O problema começou com o desfile do bloco de carnaval Skol, que estava previsto para ter início às 11h30, com a apresentação dos artistas brasileiros Nattan, Xand Avião, Felipe Amorim e Zé Vaqueiro, na esquina da Rua da Consolação com a Rua Pedro Taques. Calvin Harris fecharia o bloco com um show a partir das 14h.
Pouco depois das 12h, no entanto, o bloco parou de andar, houve empurra-empurra e alguns foliões passaram mal. Os artistas interromperam por várias vezes a apresentação.
Houve foliões que se agarraram às grades de portões de prédios da Rua da Consolação para conseguirem um respiro; outros derrubaram grades para ocupar parte da área aberta do imóvel.
De acordo com a Prefeitura, a partir das 14h55, foi acionado um plano de contingência com ações como a abertura das transversais da Consolação para saída de público e bloqueio da entrada de novos foliões ao circuito. A partir desse momento, diz a gestão, "a Guarda Civil Metropolitana assumiu a frente da linha de condução do trio elétrico para que esse seguisse sem parada".
Por volta das 16h, segundo a administração, "o desfile transcorria na região central sem incidentes". A Prefeitura disse ainda que os postos médicos operaram para o atendimento de pessoas que procuraram o serviço, mas que não houve ocorrência grave registrada. No início da noite, segundo a Polícia Militar e os organizadores, a situação se normalizou e não houve registro de ocorrências graves.
Foliões relataram nas redes sociais as dificuldades e as cenas da confusão no pré-carnaval. "Nunca vi a Consolação tão lotada", escreveu um folião.