A babá Thayná de Oliveira Ferreira afirmou neste domingo, 31, durante o julgamento de Jairo Souza Santos Júnior, o Jairinho, e de Monique Medeiros, que pretende se retratar de declarações dadas anteriormente sobre a morte de Henry Borel. Em depoimento prestado no 2º Tribunal do Júri do Rio de Janeiro, ela relatou situações que classificou como suspeitas envolvendo o ex-vereador e o menino, além de afirmar que recebeu orientações de Monique para apagar mensagens após a morte da criança. As informações foram publicadas pelo jornal O Globo.
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Antes de ser ouvida formalmente como testemunha, Thayná confirmou à juíza Elizabeth Machado Louro que desejava rever versões apresentadas durante a investigação. Ela responde a um processo por falso testemunho em razão das divergências entre seus depoimentos ao longo do caso.
Segundo a babá, que trabalhou por cerca de um mês na residência onde Henry vivia com a mãe e Jairinho, alguns episódios despertaram desconfiança sobre a convivência entre o então vereador e a criança.
Um dos relatos envolve um dia em que Henry teria acordado chamando pela mãe, que estava fora de casa. De acordo com Thayná, Jairinho afirmou que o menino era “mimado” e o levou para o quarto do casal para conversar. Após cerca de meia hora, a criança teria saído do cômodo abatida e reclamando de dores no joelho.
Outro episódio citado ocorreu quando Monique estava em um salão de beleza. A babá afirmou que Jairinho chegou ao apartamento em um horário incomum, chamou Henry para o quarto e fechou a porta. Desconfiada da situação, ela disse que trocou mensagens com Monique enquanto tentava descobrir o que acontecia no local.
Ainda segundo seu depoimento, após deixar o quarto, Henry saiu mancando. Ela afirmou ter gravado um vídeo e enviado para Monique. Durante o banho, o menino teria reclamado de dores na cabeça e contado que havia levado uma “banda” e caído da cama.
Thayná também relatou que, após esse episódio, Henry resistiu quando Jairinho tentou pegá-lo no colo e permaneceu agarrado a ela. A testemunha afirmou ainda que recebeu R$ 100 do ex-vereador para comprar uma blusa rasgada durante a situação, mas interpretou o gesto como uma tentativa de fazê-la permanecer em silêncio.
Outro ponto abordado pela babá foi o período posterior à morte de Henry. Segundo ela, tanto ela quanto uma empregada doméstica foram levadas por Monique e por uma assessora de Jairinho a um escritório de advocacia, onde teriam recebido orientações sobre como deveriam se posicionar publicamente.
De acordo com o relato, ela foi orientada a apagar mensagens do celular e a afirmar que a convivência entre os integrantes da família era harmoniosa. Thayná também disse que foi pressionada a conceder entrevistas defendendo o casal, embora inicialmente não desejasse falar com a imprensa.
A babá apresentou versões diferentes sobre os fatos. Em um primeiro momento, afirmou não ter presenciado situações anormais na família. Posteriormente, passou a relatar episódios de supostas agressões e mensagens enviadas a Monique descrevendo comportamentos de Jairinho em relação ao menino. O julgamento de Jairinho e Monique Medeiros prossegue no 2º Tribunal do Júri do Rio de Janeiro.