Relatório final aponta que avião da Voepass emitiu cinco alertas antes de cair em Vinhedo

Cenipa identificou avisos de formação de gelo, perda de desempenho, baixa velocidade e risco de estol; acidente matou 62 pessoas

24 jul 2026 - 18h27
(atualizado às 18h58)
Voepass
Voepass
Foto: Divugação/Agência Brasil

O relatório final sobre a queda do voo 2283 da Voepass, divulgado nesta quinta-feira, 23, pelo Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos (Cenipa), concluiu que a aeronave emitiu ao menos cinco tipos de alertas antes de perder o controle e cair em Vinhedo, no interior de São Paulo, em agosto de 2024. No entanto, a tripulação não agiu corretamente.

O acidente ocorreu durante o voo entre Cascavel (PR) e Guarulhos (SP) e matou as 62 pessoas a bordo, 58 passageiros e quatro tripulantes. O Cenipa também apresentou uma simulação que reconstitui os momentos finais da aeronave.

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Quais foram os alertas

De acordo com o relatório, o primeiro aviso relevante foi emitido pelo detector eletrônico de gelo, que identificou diversas vezes condições propícias para a formação de gelo. Nessa situação, o procedimento previsto era o acionamento imediato do sistema de degelo e a adequação da velocidade da aeronave.

Na sequência, o computador de bordo indicou que o avião voava abaixo da velocidade recomendada por meio do alerta Cruise Speed Low. Conforme o Cenipa, essa condição era compatível com aumento de arrasto provocado pelo gelo e perda de desempenho.

O sistema de monitoramento de performance (APM) também passou a registrar queda do desempenho da aeronave. 

Nos instantes finais do voo, foi emitido o alerta de estol, indicando perda de sustentação. O relatório concluiu que a resposta dos pilotos não seguiu o procedimento previsto para esse tipo de emergência.

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Outro aviso citado foi um alerta de velocidade classificado pelo fabricante como de "nível 2". Para o Cenipa, essa classificação pode ter contribuído para que a situação fosse subestimada. A investigação apontou que os pilotos conversavam sobre assuntos pessoais em momentos críticos da operação. 

Outro fator apontado pelo órgão foi a existência, na Voepass, de uma "cultura de normalização de desvios" em procedimentos operacionais. Segundo o Cenipa, esse cenário contribuiu para que alertas recorrentes passassem a ser encarados como situações habituais, reduzindo a percepção de risco.

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Voepass diz que colaborou com as investigações

Em nota ao Terra, a Voepass afirmou que a queda do voo 2283 foi "o episódio mais difícil da história da Voepass" e disse que, desde o acidente, permaneceu solidária às famílias das vítimas.

A empresa destacou que, em mais de 30 anos de operação na aviação brasileira, nunca havia enfrentado uma tragédia semelhante e afirmou que sempre adotou procedimentos voltados à segurança operacional, capacitação e orientação das tripulações.

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A companhia também informou que mantinha certificação IOSA desde 2012, concedida pela Associação Internacional de Transporte Aéreo (IATA), e ressaltou que a tripulação do voo era experiente, possuía mais de 5 mil horas de voo, estava devidamente certificada e com treinamentos e acompanhamentos de saúde atualizados.

Por fim, a Voepass declarou que tem atuado de forma transparente junto ao Cenipa e às autoridades desde o início das investigações e reforçou que permanece à disposição para colaborar com todas as instituições envolvidas.

Fonte: Portal Terra
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