Pelo terceiro ano seguido, o Brasil reduziu suas emissões de gases do efeito estufa, registrando uma queda de 6% em 2025, com 2,06 bilhões de toneladas de CO2 equivalente liberadas. Segundo o Seeg, o recuo foi impulsionado pela forte redução do desmatamento em todos os biomas, especialmente na Amazônia (-23,5%), aproximando o país das metas do Acordo de Paris. Já as emissões dos setores agropecuário, de energia e processos industriais permaneceram estáveis em relação ao ano anterior.
Queda no desmatamento impulsionou a diminuição das emissões que causam o aquecimento global. Setores agropecuário, de energia e de processos industriais mantiveram níveis semelhantes ao de 2024.Pelo terceiro ano consecutivo, as emissões brutas de gases do efeito estufa caíram no Brasil. Em 2025, as atividades de todos os brasileiros resultaram na liberação de 2,06 bilhões de toneladas de CO2 equivalente (GtCO2e) na atmosfera, cerca de 6% menos do que em 2024, quando foram emitidos 2,19 bilhões de toneladas.
As informações são do Sistema de Estimativas de Emissões de Gases de Efeito Estufa (Seeg) do Observatório do Clima. Publicado nesta quarta-feira (21/10), o relatório monitora há 14 anos o que acontece em todos os setores da economia.
"Isso é uma ótima notícia. Nos últimos anos vimos reduções de mais de 5%, ano a ano, o que não víamos desde os anos 2000 ", comenta David Tsai, coordenador do Seeg.
Os gases de efeito estufa geram o aquecimento global. Eles são liberados pela queima de combustíveis fósseis, desmatamento, agropecuária e outras atividades humanas. A redução dessas emissões é fundamental para diminuir os efeitos das mudanças climáticas, que podem intensificar eventos climáticos extremos, elevar o nível do mar, causar a extinção de ecossistemas e criar áreas inabitáveis no planeta.
O recuo apontado em 2025 no Brasil é um espelho do que se passou nas florestas do país. No ano passado, todos os biomas nacionais foram menos desmatados - só na Amazônia, a queda no desmatamento foi de 23,5% em comparação com o período anterior. E toda vez que o desmatamento diminui, as emissões respondem da mesma forma.
As emissões líquidas, descontando o crescimento de vegetação secundária e a remoção de carbono por áreas protegidas, foram de 1,41 bilhão de toneladas. Com isso, o Brasil se aproximou da meta estabelecida no Acordo de Paris, que é reduzir a emissão desses gases a 1,20 bilhão de toneladas até 2030.
Desmatamento em queda
No Seeg, os gases de efeito estufa liberados pelo corte da vegetação nativa são contabilizados na componente mudança de uso da terra e floresta. Quando árvores são cortadas, todo o carbono que elas armazenaram para crescer escapa para a atmosfera - e vira uma fonte poderosa de emissão.
A queda nos últimos três anos do desmatamento, reflexo direto da fiscalização rigorosa, é apontada pelos especialistas como uma grande vitória. Após uma explosão na derrubada de florestas durante o governo de Jair Bolsonaro, foi registrada em 2026 a menor área desmatada da série histórica do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe).
No último ano do governo de Bolsonaro, em 2022, as emissões brutas por mudança de uso da terra chegaram a 1,5 bilhão. Luiz Inácio Lula da Silva fecha seu terceiro mandato com a marca de 814 milhões, uma redução de 46% neste quesito.
Quando se consideram as emissões líquidas, a diminuição foi de 81% neste intervalo - de 860 milhões de toneladas de gás carbônico equivalente (MtCO2e) para 162 MtCO2e em 2025.
No total de gases de efeito estufa, as mudanças de uso da terra responderam por 39% das emissões, ocupando a primeira posição entre os setores analisados. A destruição na Amazônia e no Cerrado teve o maior peso nessa componente.
"Falar em emissões talvez pareça abstrato, mas elas afetam diretamente a vida das pessoas. Quando protegemos as paisagens naturais e evitamos emissões, protegemos toda uma infraestrutura ambiental que rege o ciclo da água e garante o recurso para a produção de alimentos, para gerar energia elétrica. E também evitamos eventos climáticos extremos, que dão prejuízos agudos e repentinos para os brasileiros e ainda podem causar mortes", argumenta Tsai.
Agro mais produtivo e estabilidade nos demais setores
O segundo setor que mais emite no país é o agropecuário, responsável por 29% das emissões no ano passado. As emissões brutas do setor somaram 626 MtCO2e em 2025, mantendo praticamente o patamar de 2024. Esse número pode ser resultado de um aumento de eficiência no setor, segundo Gabriel Quintana, coordenador de Ciência do Clima no Imaflora.
Na pecuária, o número do rebanho bovino caiu, enquanto indicadores de produção, como abate, leite e produção de carcaça, avançaram. "Isso significa produzir mais com um rebanho menor, contribuindo para reduzir a intensidade das emissões", resume Quintana.
Na agricultura, a adoção de práticas de baixo carbono também contribuiu e pode aumentar a capacidade de adaptação às mudanças climáticas. O desafio, segundo Quintana, é identificar melhor onde estão essas iniciativas e levá-las em escala para o resto do país.
Os setores de energia (427 MtCO2e) e processos industriais (94 MtCO2e) também mantiveram índices parecidos com os do ano anterior. Já o setor de resíduos registrou alta de 3,6% (foi de 92 MtCO2e para 96 MtCO2e). De acordo com o relatório, o crescimento das emissões no setor de resíduos, responsável por 5% do total, se deve ao aumento da população.
Quando verificadas as emissões por atividades específicas, os maiores poluentes são a pecuária (35%), seguida da agricultura (34%), do transportes de cargas (6%) e do transporte de passageiros (5%).
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