Em Campinas, Fernando Haddad afirmou que a disputa presidencial entre Lula e Flávio Bolsonaro está empatada na margem de erro. O ex-ministro defendeu o uso da reta final de campanha para alertar eleitores de que uma vitória do senador causará retrocessos à democracia, soberania, direitos trabalhistas e programas sociais. Ao lado de Geraldo Alckmin, Haddad criticou propostas bolsonaristas como a negociação direta entre patrões e empregados, pedindo foco no diálogo para manter as políticas atuais.
O ex-ministro Fernando Haddad (PT) afirmou nesta quarta-feira, 21, que a disputa presidencial entre Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Flávio Bolsonaro (PL) está "muito apertada" e que a campanha do petista pretende utilizar os últimos dias antes do segundo turno para alertar os eleitores sobre os riscos de retrocesso em caso de vitória do senador. A declaração foi dada durante entrevista coletiva em Campinas, no interior de São Paulo, onde Haddad participou de um ato de campanha ao lado do vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB).
"Essa é uma eleição muito apertada, como a gente está vendo pelas pesquisas. Essa última semana mostra que está tudo empatado dentro da margem de erro", afirmou Haddad, ao ser questionado sobre as perspectivas de ampliar a votação de Lula no interior paulista.
Segundo o petista, a reta final da campanha será dedicada a apresentar aos eleitores diferenças entre os projetos políticos dos dois candidatos. Haddad afirmou que uma eventual vitória de Flávio colocaria em risco a soberania nacional, a democracia, os programas sociais e os direitos trabalhistas.
O petista também criticou a proposta de ampliar a negociação direta entre patrões e empregados, defendida por parte da ala bolsonarista, e argumentou que a ausência de uma legislação protetiva enfraqueceria os trabalhadores nas negociações.
"Tem muita coisa em jogo no Brasil. Tem muita coisa em risco, e nós temos que usar esses três, quatro dias para conversar com as pessoas", disse.
Haddad afirmou ainda que a população deseja mudanças, mas defendeu a continuidade das políticas adotadas pelo governo Lula. Na avaliação dele, a vitória da oposição significaria uma reversão dos avanços que atribui à atual administração.
"Eu diria que não está em risco. É certo que nós vamos ter um retrocesso no Brasil", disse o petista, ao criticar a possibilidade de retorno do grupo político ligado ao ex-presidente Jair Bolsonaro ao Palácio do Planalto.