A foto que pode abrir novo capítulo nas buscas por brasileira desaparecida na Inglaterra

Polícia de Essex lança portal para receber pistas sobre a psicóloga Vitória Barreto, desaparecida há quase duas semanas.

16 mar 2026 - 17h41
Família acredita que a pessoa de costas, circulada em vermelho na imagem, é Vitória Barreto
Família acredita que a pessoa de costas, circulada em vermelho na imagem, é Vitória Barreto
Foto: Polícia de Essex / BBC News Brasil

A imagem acima pode representar um novo capítulo nas buscas pela brasileira Vitória Barreto, desaparecida na Inglaterra há quase duas semanas.

Ela foi tirada por uma moradora da vila costeira de Bradwell-on-Sea, no Condado de Essex, e mostra uma pessoa de costas caminhando (circulada em vermelho na imagem). A família acredita que trata-se de Vitória.

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A investigação aponta que a brasileira pode ter pegado um barco em um estaleiro, em Brightlingsea, no dia 4 de março, um dia depois de ter sido vista pela última vez.

A embarcação foi encontrada à deriva posteriormente com um colete salva-vidas a menos.

A polícia de Essex segue nas buscas e, nesta segunda-feira (16/3), lançou um portal para receber informações sobre a brasileira.

No domingo, familiares e amigos de Vitória refizeram o trajeto de barco que ela teria feito.

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Aos poucos, a polícia tem encontrado pistas que podem ajudar na investigação sobre o desaparecimento da brasileira: no sábado (14/3), encontraram o laptop de Vitória.

Logo após o desaparecimento, a polícia britânica afirmou ter encontrado a bolsa da psicóloga, próxima ao local onde um barco foi desatracado em Brightlingsea.

Diversos possíveis avistamentos na área de Bradwell-on-Sea também estão sendo investigados, informou a Polícia de Essex.

A polícia acredita que ela foi filmada por câmeras de segurança em 4 de março, às 00h16 (horário local), pulando uma cerca para dentro de um estaleiro.

A última imagem de Vitória, capturada por câmera de segurança às 0h16 de quarta-feira, 4 de março
Foto: Polícia de Essex / BBC News Brasil

Vitória Barreto, moradora da capital cearense, Fortaleza, havia participado de uma conferência no Marrocos antes de chegar ao Reino Unido em 2 de fevereiro.

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Em 3 de março, ela se encontraria com sua amiga Liliane Silva, com quem estava hospedada enquanto trabalhava em um projeto de pesquisa na Universidade de Essex, em Colchester.

Mais tarde naquele dia, Vitória fez uma viagem de ônibus de 30 minutos até a cidade litorânea de Brightlingsea, e sua família e amigos não tiveram notícias dela desde então.

Sua família pediu à comunidade brasileira em Essex que exiba bandeiras do Brasil, na esperança de atrair a atenção de Vitória e fazê-la se sentir segura e acolhida.

Portal lançado pela polícia de Essex para receber pistas da psicóloga desaparecida
Foto: BBC News Brasil

"Todos os policiais, funcionários e voluntários envolvidos nesta busca desejam, mais do que tudo, reunir Vitória com sua mãe - e estamos trabalhando incansavelmente para isso", afirmou a superintendente detetive Anna Granger.

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"Testemunhamos em primeira mão o apoio da comunidade em Brightlingsea e em outras regiões, oferecido aos entes queridos de Vitória", afirmou.

"Sabemos que muitas pessoas da comunidade se envolveram em divulgar o desaparecimento de Vitória, o que ajudou a garantir que um número significativo de pessoas em Essex agora reconheça seu rosto e suas roupas. Gostaria de pedir a toda a nossa comunidade que continue atenta e nos informe sobre qualquer avistamento ou informação de câmeras de segurança o mais rápido possível", afirmou Granger.

Vitória Barreto estava hospedada em Essex na casa de uma amiga enquanto trabalhava em um projeto de pesquisa
Foto: Arquivo da família de Vitória / BBC News Brasil

Último contato

Liliane Silva, amiga de Barreto, foi uma das últimas pessoas a vê-la. Professora no doutorado em Psicologia Clínica na Universidade de Essex, ela conta que conheceu a amiga ainda em Fortaleza, quando trabalharam juntas no Projeto 4 Varas, de terapia comunitária integrativa, na comunidade de Pirambu.

As duas estavam atualmente desenvolvendo um projeto conjunto, motivo da ida de Vitória ao Reino Unido, após participar de uma conferência no Marrocos, diz Silva.

Vitória chegou ao Reino Unido em 2 de fevereiro e passou três semanas hospedada na casa de um amigo em Londres, enquanto Liliane estava em viagem ao Brasil.

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Com o retorno da amiga, ela foi para a casa dela em Southend-on-Sea, em 1º de março, e deveria ficar hospedada ali durante todo o mês.

Liliane conta que, no dia 1º, as duas se divertiram em Londres e voltaram para Southend-on-Sea.

No dia 2, ambas passaram o dia todo juntas na universidade, que fica em Colchester, a cerca de 50 minutos de carro ao norte de Southend-on-Sea.

"Enquanto eu trabalhava, ela estava na biblioteca trabalhando no nosso projeto", conta a amiga.

Na terça-feira, 3 de março, dia do desaparecimento de Vitória, a ideia era repetir essa programação.

As amigas se encontraram na universidade na hora do almoço e se separaram quando Liliane foi dar aulas, com planos de se reencontrar após às 16h45, pelo horário local.

Mas Vitória não compareceu ao encontro. No dia seguinte, ainda sem notícias da amiga, Liliane registrou o caso de pessoa desaparecida junto à polícia de Essex.

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Inquietude e medo do apocalipse

Liliane conta que, na noite anterior ao desaparecimento, a amiga havia dormido mal.

"Ela não dormiu bem nessa noite. Eu vi os movimentos dela, levantando muito, indo no banheiro, voltando pro quarto. Falei com ela por volta das 4h, e ela disse que estava inquieta e que ia tentar dormir mais um pouco, mas não conseguiu", lembra.

A psicóloga conta que a amiga nunca foi muito esotérica, mas no domingo elas haviam conversado sobre mudanças de ciclo, e Vitória disse que a terça-feira seria um dia-chave, porque haveria um eclipse, então seria um momento de renovação.

"Na terça-feira, ela estava muito quieta, perguntei se algo estava acontecendo e se ela queria conversar, mas ela disse para conversarmos depois, mas isso não era o comum dela", diz Liliane.

"E para a mãe, falando ao telefone um pouco antes de eu chegar para o almoço, ela falou que os quatro Cavalos do Apocalipse estavam chegando, que era o fim, e ela precisava correr e atravessar o portal."

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A amiga observa que o fato de Vitória não ser esotérica e ter dito isso sugere que a amiga talvez não estivesse em seu estado normal antes de desaparecer.

A brasileira foi vista pela última vez em Brightlingsea, que fica a cerca de 50 minutos de ônibus a sudeste de Colchester, na direção oposta de Londres e da casa da amiga em Southend-on-Sea.

Imagens de câmeras de segurança capturaram o momento em que Vitória pegou o ônibus de Colchester para Brightlingsea. Ela também conversou com ao menos um homem em Brightlingsea, que está em contato com a família da brasileira.

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