A nova rodada de tarifas anunciada por Donald Trump colocou o Brasil no centro de uma tensão comercial com os Estados Unidos. A taxação imposta nesta quarta-feira (9), é a mais alta entre as medidas reveladas até o momento e atinge diretamente as exportações brasileiras. O percentual fixado para o país foi de 50%, o teto entre as alíquotas estabelecidas por Washington.
Dois dias antes, o republicano já havia iniciado o envio de comunicados a diversos governos. Os documentos condicionam a suspensão das taxas a acordos comerciais bilaterais com os EUA, com vigência a partir de 1º de agosto. Na segunda-feira, 14 países receberam as cartas; outros oito foram notificados nesta quarta.
Entre os novos alvos estão Argélia, Brunei, Filipinas, Iraque, Líbia, Moldávia e Sri Lanka. No total, 22 países foram informados até agora. A lista inclui também nações como África do Sul, Japão e Coreia do Sul, cujas tarifas variam entre 20% e 40%, dependendo do caso. A menor taxa, de 20%, foi aplicada às Filipinas.
Trump mira Brasil por motivos econômicos ou políticos?
A reação de analistas ao redor do mundo foi imediata. Para muitos, a ofensiva comercial tem motivações ideológicas. "Não seria a primeira vez que os Estados Unidos usam a política tarifária para fins políticos", avaliou o economista Paul Krugman, ganhador do Nobel.
Entidades empresariais também manifestaram preocupação com a medida. A Confederação Nacional da Indústria classificou a decisão como desproporcional e alertou para o risco de demissões no setor produtivo. Representantes do agronegócio fizeram coro à crítica.
A carta enviada por Trump ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) reforça a impressão de que os motivos ultrapassam o campo comercial. No texto, o norte-americano cita diretamente o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) e critica o julgamento do ex-presidente no Supremo Tribunal Federal, chamando o processo de "uma vergonha internacional".
Essa foi a terceira vez, em menos de dois dias, que o republicano atacou o andamento do caso. Para o ex-presidente do Banco Central Alexandre Schwartsman, a motivação política por trás da decisão é evidente: "Fica muito claro que essa medida foi tomada por razões políticas - em particular, [Trump] mencionou recentemente a iminente condenação do Bolsonaro".
Diante da escalada, Lula afirmou que o Brasil "não aceitará ser tutelado por ninguém" e prometeu adotar medidas com base na Lei da Reciprocidade Econômica. O presidente também reforçou que a Justiça brasileira é a única instância responsável por julgar os envolvidos na tentativa de golpe de 8 de janeiro de 2023.
Trump, por sua vez, justificou a taxação com acusações ao Brasil, dizendo que a medida se deu "devido aos ataques insidiosos do Brasil contra eleições livres e à violação fundamental da liberdade de expressão dos americanos". No texto, ainda afirmou que o STF emitiu "centenas de ordens de censura SECRETAS e ILEGAIS" a plataformas de mídia social dos EUA, ameaçando-as com sanções e até expulsão do país.
As novas tarifas incidem sobre todas as exportações brasileiras aos Estados Unidos, sem exceção, além das já existentes. Produtos como aço e alumínio, por exemplo, já enfrentam essa cobrança, com reflexo direto na indústria nacional.