Para muitas pessoas, a água com gás é a alternativa perfeita aos refrigerantes: refrescante, efervescente e satisfatória. No entanto, à medida que a bebida ganha popularidade nos lares brasileiros, surgem dúvidas fundamentais sobre os seus reais efeitos na saúde bucal. O grande questionamento é se estamos, sem perceber, banhando nossos dentes em substâncias que favorecem a erosão e o surgimento de cáries. De acordo com Kenneth Allen, vice-presidente de odontologia da Universidade de Nova York, o risco existe, especialmente em versões que se assemelham a refrigerantes, onde o consumidor pode estar literalmente "banhando seus dentes em açúcar e ácido".
O processo que garante a efervescência da bebida é a carbonatação, que consiste em dissolver dióxido de carbono na água. Esse método não apenas cria as bolhas, mas também gera o ácido carbônico. O alerta dos especialistas foca no consumo frequente dessas substâncias ácidas, pois elas possuem o potencial de amolecer o esmalte dentário, removendo os minerais naturais que protegem a estrutura contra as bactérias. Segundo Margherita Fontana, professora da Universidade de Michigan, a situação se agrava com açúcares adicionados, já que as bactérias bucais se alimentam deles para produzir ainda mais ácido.
Água com gás prejudica os dentes? Entenda
Embora a água com gás pura e sem sabor seja considerada levemente ácida e praticamente inofensiva, as versões aromatizadas escondem perigos maiores. Algumas dessas bebidas podem ser até 100 vezes mais ácidas que a versão natural. Por isso, o reitor André Ritter, da Faculdade de Odontologia da Universidade de Washington, recomenda atenção máxima aos rótulos. É prudente evitar produtos que listem ácido cítrico, ácido fosfórico ou açúcares como xarope de milho e concentrados de frutas. As versões alcoólicas, as famosas hard seltzers, também exigem cautela redobrada, pois o álcool está diretamente associado a doenças gengivais e outros riscos sistêmicos.
A boa notícia é que a nossa própria biologia oferece uma defesa natural: a saliva. Ela atua neutralizando a acidez e repondo minerais essenciais. Entretanto, grupos específicos como idosos e pessoas com diabetes ou Alzheimer, que tendem a produzir menos saliva, devem ser mais vigilantes. Para quem não abre mão da bebida, a estratégia de consumo é mais importante que a quantidade. "Isso não significa que não possam consumir água com gás, mas devem ter mais cuidado com a forma como a bebem", enfatiza Ritter, sugerindo que a exposição prolongada é o maior vilão.
Dicas
Para minimizar danos, a recomendação é consumir a bebida durante as refeições, quando a produção salivar é maior, ou utilizar um canudo para desviar o fluxo dos dentes. Outra dica é evitar a escovação imediata após o consumo; o ideal é aguardar pelo menos 30 minutos. Como o ácido amolece o esmalte temporariamente, escovar os dentes logo em seguida pode agravar o desgaste mecânico. No ranking da saúde, a água natural permanece no topo, seguida pela com gás, deixando os refrigerantes açucarados em um distante terceiro lugar. No fim das contas, a moderação e o acompanhamento profissional garantem que você possa aproveitar sua bebida sem comprometer o sorriso.