As dicas de uma negociadora de sequestros sobre criação de filhos

Nicky Perfect oferece três truques práticos que ela aprendeu quando era oficial de polícia e podem ajudar com as batalhas diárias da criação de filhos.

23 jan 2026 - 05h12
Nicky Perfect passou 10 anos como negociadora de sequestros da New Scotland Yard
Nicky Perfect passou 10 anos como negociadora de sequestros da New Scotland Yard
Foto: BBC News Brasil

À primeira vista, ser mãe e trabalhar como negociadora de sequestros sçao atividades que não parecem ter muita relação entre si.

Mas alguém que desempenhou os dois papéis afirma ter aprendido truques na sua profissão que podem ajudar a lidar com as crianças em casa.

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Nicky Perfect foi oficial da Polícia Metropolitana de Londres por mais de 30 anos, 10 deles como negociadora de crises e sequestros internacionais, na Unidade de Elite de Negociação de Crises e Sequestros da New Scotland Yard.

Ela conta que, às vezes, saber o que fazer ou dizer como pai ou mãe pode trazer a sensação de alto risco e fazer a diferença entre manter a paz e uma discussão ou até levar ao completo colapso.

Perfect contou à BBC três técnicas que ela aprendeu na sua carreira sob alta pressão, que irão ajudar você a ficar calmo e manter o controle como pai ou mãe.

1. Dê a eles uma 'escolha sem escolha'

Menino com os braços cruzados e cabeça baixa, recusando-se a negociar com sua mãe
Foto: Getty Images / BBC News Brasil

As crianças costumam desafiar os limites. Muitas vezes, elas querem fazer o oposto do que você pede a elas.

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Em situações como estas, em vez de reafirmar sua autoridade com a frase "porque eu mandei", Nick Perfect aconselha a tentar o truque da "escolha sem escolha".

Isso significa reformular a situação, continuando a oferecer uma escolha, mas de forma que a criança mantenha a sensação de controle e influência.

Perguntar a uma criança se ela quer colocar seu casaco em casa ou quando for sair, por exemplo, pode ajudá-la a se sentir ouvida, respeitada e envolvida, levando ao mesmo resultado.

Outro exemplo poderia ser oferecer a uma criança que se recusa a comer verduras a opção de comer couve ou brócolis.

Pode não funcionar sempre, mas irá ajudar a limitar a resistência imediata.

2. Espere 90 segundos antes de reagir

Pai tentando trabalhar em casa com duas filhas pequenas se divertindo, gritando nos seus ouvidos
Foto: Getty Images / BBC News Brasil

Ao lidar com temas sensíveis, Perfect aconselha não reagir por 90 segundos, para impedir que você reaja de forma emocional.

Um agente do FBI, certa vez, disse a ela: "Sua função na vida não é mudar as pessoas... Você não consegue... A única coisa que você pode escolher é como reagir."

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É importante lembrar que esta escolha existe mesmo quando as emoções ameaçam sobrepujar o lado lógico do cérebro.

"A reação poderá ser simplesmente dizer: 'Quer saber? Estou com os nervos à flor da pele, agora. Preciso sair e pensar a respeito'", explica Perfect.

"Ou, talvez, você simplesmente não diga nada e ouça o que eles têm a dizer."

Como madrasta, ela precisou colocar este ponto em prática quando sua enteada reconheceu que gostaria de passar o dia de Natal com seu pai e seus irmãos, quando eles se mudaram para mais longe.

Internamente, Nicky Perfect queria desesperadamente que ela ficasse. Mas "em algum momento, você precisa apertar o botão de pausa... e dizer 'este é o seu Natal. É um dia na minha vida. O que você quer?'"

A aceitação tornou mais fácil para ela decidir como passar o próprio dia, além de planejar uma nova forma de comemorar em conjunto com sua enteada, antes ou depois da data.

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3. Observe o ponto de vista deles

Criança sorrindo, pendurada de cabeça para baixo na cama
Foto: Getty Images / BBC News Brasil

Para Nicky Perfect, ver o mundo do ponto de vista de outra pessoa, seja ela adulta ou criança, é fundamental.

É assim que você consegue convencer a outra pessoa dos benefícios da sua proposta, fazendo com que ela também se sinta ouvida.

"É o chamado 'poder da negociação', pois, se você oferecer às pessoas razões por que algo deveria ou não acontecer, é mais provável que elas aceitem", orienta ela.

"É questão de reconhecer e ser realmente honesto com as pessoas. Elas são muito mais receptivas à sua honestidade do que você pensa."

Pense em um problema comum, como a birra na hora de dormir. Muitas vezes, as crianças podem enfrentar dificuldade com a perda de autonomia trazida pelo súbito anúncio da hora de ir para a cama.

Uma solução, segundo Perfect, é imaginar como a criança se sente naquele momento, em vez de observá-la como um adulto.

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Se eles estiverem se divertindo com os brinquedos e, de repente, chega a hora de ir dormir, pode parecer uma decisão abrupta e, naturalmente, isso irá perturbá-los.

Sua sugestão é preparar a criança assim que ela chegar em casa, incluindo a rotina noturna naturalmente nas conversas e reforçando a questão regularmente ao longo da noite.

Algo como "vamos jantar, assistir à televisão e, depois, é hora de dormir" oferece uma boa solução.

Com isso, a criança se sente mais envolvida e consciente do que vem pela frente, mesmo que não goste daquilo. E, com sorte, ela será menos birrenta.

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