Em conversa com Lula, Xi Jinping defende ONU e diz que países 'devem se manter do lado correto da história'

O presidente chinês, Xi Jinping, conversou nesta sexta-feira (23) com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva por telefone e pediu que o Brasil defenda com a China "o papel central" das Nações Unidas no sistema internacional. Segundo a agência estatal chinesa Xinhua, China e Brasil têm papel preponderante para "manter a paz e a estabilidade globais".

23 jan 2026 - 05h52

De acordo com comunicado divulgado pela emissora estatal CCTV, "os dois países devem se posicionar do lado certo da história, defender melhor seus interesses e os do Sul Global e defender juntos o papel central das Nações Unidas e os princípios de equidade e justiça internacionais", declarou o presidente chinês.

A China e o Brasil "devem se manter firmes do lado correto da história", acrescenta a mídia estatal chinesa. Xi também defendeu o aprofundamento da cooperação estratégica e "a reforma e a melhoria da governança global". O presidente chinês defende que os dois países promovam uma ordem internacional que se baseie no respeito ao desenvolvimento dos países emergentes.

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A conversa ocorreu logo após o anúncio feito por Donald Trump, no Fórum de Davos que terminou nesta quinta (22), da criação do chamado Conselho da Paz. Embora China e Brasil tenham sido convidados a participar do novo órgão, nenhum dos dois confirmou adesão. O resumo da conversa entre os presidentes Xi e Lula não menciona o tema, segundo a agência chinesa.

Dos cerca de 60 convites para integrar esse Conselho da Paz, aproximadamente 35 aceitaram participar - a maioria do Oriente Médio, da Ásia e da América do Sul. O Brasil analisa a questão com cautela, segundo analistas ouvidos pela RFI Brasil, em meio aos riscos e incertezas do cenário internacional

Brasil e China podem ser 'exemplo'

A China, segunda maior potência econômica do mundo e membro permanente do Conselho de Segurança da ONU, defende o sistema das Nações Unidas, embora reconheça a necessidade de reformas. Trump afirmou que seu Conselho da Paz deverá colaborar com a ONU, mas poderá agir de forma autônoma após ser estabelecido.

Pequim reiterou que, independentemente das mudanças internacionais, continuará defendendo a ONU - instituição na qual a China tem grande influência como membro permanente do Conselho de Segurança.

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China e Brasil fazem parte do grupo Brics+, uma aliança ampliada de países emergentes que se reúnem em cúpula anual. Em agosto de 2025, Xi já havia dito a Lula que os dois países poderiam servir de exemplo de "independência" para outros países emergentes.

Com agências

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