Afastamentos por transtornos mentais no Brasil registram alta de 15,66% em 2025

Dados da Previdência Social indicam crescimento nas concessões de benefícios antes da implementação de novas diretrizes da NR-1 sobre riscos psicossociais

20 fev 2026 - 05h50

Os registros de afastamento do trabalho motivados por transtornos mentais atingiram índices recordes no Brasil. De acordo com informações da Previdência Social, o ano de 2025 contabilizou 546.254 concessões de benefícios por incapacidade temporária nesta categoria. O volume representa uma elevação de 15,66% na comparação com o ano de 2024, quando foram registrados 472.328 casos.

O crescimento das estatísticas coincide com a proximidade de mudanças normativas
O crescimento das estatísticas coincide com a proximidade de mudanças normativas
Foto: Canva Fotos / Perfil Brasil

Os transtornos ansiosos e os episódios depressivos figuram como as principais causas para a suspensão das atividades laborais por motivos de saúde mental. No panorama geral, o aumento de benefícios concedidos por todas as enfermidades listadas na Classificação Estatística Internacional de Doenças (CID-10) foi de 15,19% no mesmo intervalo.

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A análise por gênero aponta que as mulheres são as mais afetadas, respondendo por 63,46% das licenças em 2025. Em termos absolutos, foram 346.613 benefícios para o público feminino e 199.641 para o masculino. Geograficamente, o estado de São Paulo concentra o maior número de ocorrências (149.375), seguido por Minas Gerais (83.321) e Rio Grande do Sul (46.738).

O crescimento das estatísticas coincide com a proximidade de mudanças normativas. A partir de 26 de maio de 2026, atualizações na Norma Regulamentadora nº 1 (NR-1) passarão a exigir que as empresas realizem a avaliação e o gerenciamento de riscos psicossociais. Tais medidas deverão ser integradas ao Programa de Gerenciamento de Riscos (PGR) de cada organização.

O psicólogo e psicanalista Francisco Nogueira avalia que o trabalho atua como um estruturante da vida psíquica e da cidadania. Segundo o especialista, ambientes organizados e humanizados podem exercer funções curativas e organizadoras. Por outro lado, o profissional afirma que contextos precarizados, condições inadequadas e relações laborais abusivas promovem a desorganização mental dos indivíduos.

"Quando o trabalho é precarizado, marcado por más condições e relações abusivas, ele desorganiza psiquicamente a pessoa."

Nogueira observa que indivíduos com alto grau de engajamento e identificação com suas funções podem apresentar vulnerabilidade ao burnout, devido à dificuldade em reconhecer limites pessoais. Para ele, a nova regulamentação busca restabelecer o trabalho como fator de dignidade.

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A legislação vigente reforça a necessidade de uma responsabilidade compartilhada, onde trabalhadores e empresas atuam na identificação de perigos à saúde mental. O gerenciamento de riscos psicossociais deixa de ser apenas uma questão de bem-estar para se tornar uma obrigação legal e estratégica dentro das estruturas corporativas brasileiras.

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