'Qualquer hora me mata', disse PM encontrada com tiro na cabeça em mensagem sobre marido

Soldado Gisele Alves Santana planejava deixar o casamento por conta de comportamentos violentos do ex-marido, afirma advogado

17 mar 2026 - 10h22
(atualizado às 10h23)
Gisele Alves Santana, soldado da PM, morreu em casa ao ser atingida por um tiro
Gisele Alves Santana, soldado da PM, morreu em casa ao ser atingida por um tiro
Foto: Reprodução/Facebook / Estadão

A investigação sobre a morte da soldado Gisele Alves Santana ganhou novos elementos nesta semana. O tenente-coronel Geraldo Leite Rosa Neto, ex-marido dela, já foi alvo de decisões judiciais e registros por ameaças, perseguição e assédio moral, incluindo uma condenação por abuso de autoridade contra uma subordinada. Além disso, mensagens enviadas por Gisele a uma amiga e a seu pai indicam que ela vivia um relacionamento conturbado e que planejava deixar o casamento por medo de violência. 

Nesta terça-feira, 17, o Terra obteve acesso a um áudio enviado pela soldado a seu pai, em que ela pede ajuda para buscar uma casa mais próxima de sua família. De acordo com o advogado José Miguel da Silva Junior, este seria um indício de que ela planejava deixar o marido.

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"Pai, pra mim é melhor aí na rua, entendeu? Quanto mais perto daí, melhor", diz a policial na gravação.

Já em mensagem de texto, enviada a uma amiga, Gisele se queixou de ciúmes excessivo por parte de Neto.

"Tem que controlar os ciúmes dele. Qualquer hora me mata. Fica cego", disse a PM.

Mensagem revela queixa de ciúmes de PM encontrada morta: 'Qualquer hora me mata'
Foto: Arquivo pessoal

Segundo o advogado da família de Gisele, o ex-marido da vítima tem um histórico de ameaças e perseguições contra mulheres. Registros policiais e decisões judiciais em que Neto esteve envolvido foram revelados pelo advogado à reportagem, e nelas constam episódios de ameaças contra ex-companheiras e denúncias de assédio contra policiais militares mulheres subordinadas ao oficial.

Em uma das denúncias, de 2010, "uma vítima, sua ex-mulher, diz que vem sofrendo vários problemas de perturbação de sua tranquilidade. (...) A ex-mulher se socorre de medida protetiva e diz o seguinte: 'o autor mantém vigilância sobre a vítima, impedindo que ela se relacione com outras pessoas, ameaçando inclusive de morte'", disse o advogado.

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Em outra, Neto "decidiu movimentar quatro policiais femininas para outro local de trabalho como forma de punição, sem apresentar motivos legais para a transferência. Passando a perseguir o efeito feminino". 

O advogado responsável pela defesa do tenente-coronel foi procurado pelo Terra para comentar a revelação das decisões judiciais e as mensagens de Gisele, mas ainda não se manifestou. O espaço segue aberto.

A policial militar Gisele Santana, de 32 anos, foi encontrada morta no apartamento em que vivia com o marido, o tenente-coronel da PM Geraldo Leite Rosa Neto, de 53 anos
Foto: Reprodução/Fantástico

Morte da Soldado Gisele

Gisele foi encontrada morta com um tiro na cabeça em 18 de fevereiro, no apartamento do casal, no Brás, em São Paulo. Neto foi quem chamou a polícia. O caso foi inicialmente registrado como suicídio.

A família contestou a versão e apresentou relatos de que relacionamento do casal era abusivo, levando a Polícia Civil a reclassificar o caso como morte suspeita, com início de uma investigação também por possível feminicídio.

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Laudos periciais apontaram inconsistências, como lesões no rosto e pescoço, marcas de unhas, além do disparo à queima-roupa e a trajetória do tiro.

O exame residuográfico não encontrou pólvora nas mãos de Gisele nem do coronel, o que levantou dúvidas sobre a hipótese de suicídio. Ainda são aguardados laudos complementares, como o toxicológico e o do local do crime, considerados fundamentais para a conclusão do inquérito.

A Secretaria da Segurança Pública (SSP-SP) informou nesta terça que ainda tem previsão para receber os resultados.

"Todas as circunstâncias relativas aos fatos são apuradas por meio de procedimentos instaurados pela Polícia Civil e pela Corregedoria da Polícia Militar. O inquérito civil tramita no 8º Distrito Policial (Brás), que já realizou oitivas e solicitou laudos periciais complementares, os quais serão anexados aos autos tão logo sejam concluídos", diz a nota enviada ao Terra.

Fonte: Portal Terra
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