'Preciso ter forças para lutar', diz mãe de Alana Rosa sobre acompanhar recuperação da filha após tentativa de feminicídio

Jade Anísio conta que ficha está caindo só agora sobre os impactos em toda a família e diz que Alana está retomando rotina aos poucos

10 mai 2026 - 05h00
Jade Anísio ao lado da filha, Alana Rosa, vítima de uma tentativa de feminicídio em fevereiro
Jade Anísio ao lado da filha, Alana Rosa, vítima de uma tentativa de feminicídio em fevereiro
Foto: Reprodução/Instagram/jadeanisio

A última quarta-feira (6) marcou três meses do crime que mudou a vida de Alana Rosa, de 20 anos, e de sua família. Em fevereiro, Luiz Felipe Sampaio invadiu a casa onde a jovem morava, em São Gonçalo (RJ), e a golpeou mais de 30 vezes com uma faca depois que ela recusou seu pedido de namoro. Após uma longa jornada de hospitalização e a realização da primeira audiência do caso, a mãe de Alana, Jade Anísio, diz que a ficha começou a cair sobre o trauma da família.

“Hoje eu me sinto mais abalada, parece que as coisas estão vindo com mais força. Sabe quando você se veste para proteger e cuidar da sua filha, e depois que tudo se acalma, você vai perdendo as suas forças? Mas ao mesmo tempo você tem que ter força, porque a gente ainda tem um processo. Eu preciso ter forças para lutar”, relatou Jade em entrevista ao Terra.

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A mãe confessa que via Alana como uma figura frágil antes do ataque e sempre teve um grande instinto de proteção sobre ela. “Eu sempre achei a Alana muito frágil. E depois dessa tragédia que quase levou a vida da Alana, ela tá forte, ela anda na rua de cabeça erguida. Eu vejo hoje uma outra Alana, uma Alana mais forte, mais resistente”, reforça.

“A gente não tem como esquecer” 

Após a primeira audiência do caso, realizada em 15 de abril no Fórum de Alcântara, Jade tomou conhecimento do depoimento em que Luiz Felipe alega ter tido um ‘apagão’ durante o ataque e não lembrar de detalhes do crime. “Eu não tenho como esquecer o que ele fez com a minha filha. Ela tem marcas pelo corpo todo. A gente não pode voltar para nossa casa, uma casa que eu moro desde criança”, desabafou.

Jade esteve ao lado da filha durante um mês de internação hospitalar
Foto: Reprodução/Instagram/jadeanisio

Mãe e filha deixaram o local do crime e vivem temporariamente com o pai de Alana, de quem Jade está separada há anos. Ela conta que a filha não consegue mais retornar à residência onde viveu a vida inteira. Jade volta pontualmente ao local, de onde deu a entrevista, para buscar objetos pessoais. Agora, elas procuram um apartamento para alugar. “A gente vai ter que alugar nossa casa, que é própria, porque a gente não consegue morar mais aqui”, contou.

Jade também não conseguiu retomar a rotina de trabalho com transporte escolar até o momento. “Eu tive que passar as minhas crianças para outros profissionais, porque não tinha como continuar”, diz ela. Por outro lado, a família comemora o retorno de Alana às aulas no cursinho, onde a jovem busca realizar o sonho de estudar medicina.

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A jovem voltou a frequentar a sala de aula há duas semanas. “Ela está só meio período porque ainda está fazendo fisioterapia, ela operou as duas mãos então ainda tem uma certa dificuldade para escrever. Isso para a gente já é uma satisfação enorme. Porque ela não desistiu dos seus sonhos, né? Ela continua firme aí para, se Deus quiser, se tornar uma grande médica”, diz a mãe, orgulhosa.

Tragédia virou combustível na luta contra a violência

Nos últimos três meses, Jade se mostrou cada vez mais uma voz ativa no combate ao feminicídio e à violência de gênero. Nas redes sociais, além de atualizações sobre a recuperação de Alana, ela compartilha denúncias e reflexões sobre o tema. “Eu tô aí tentando fazer alguma coisa, o pouco que eu sei, tentando passar para essas mulheres que me procuram”, explica.

Ela diz que ainda recebe muitos comentários negativos ao trazer o tema para o debate público. “Mas ao mesmo tempo o apoio é maior e me dá forças para eu continuar falando que muita coisa que as mulheres passam e elas acham que é normal, não é. Tentando colocar a minha experiência, do que eu passei com a Alana, a minha experiência de vida”, explica a mãe.

Além da condenação de Luiz Felipe, Jade diz esperar que a legislação brasileira se adeque à necessidade urgente de combate à violência contra a mulher. “O que eu espero daqui para frente é que alguém faça alguma coisa para mudar as nossas leis. Eu acho que é quase impossível a gente conseguir uma prisão perpétua aqui no Brasil, mas pelo menos alguma coisa que faça esses homens pagarem. Porque o que eu entendo é que hoje eles não tem medo de fazer esse tipo de brutalidade”, conclui.

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Fonte: Portal Terra
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