Ana Cláudia Rodrigues foi empurrada de um penhasco pelo ex-marido, Silvanildo Amâncio de Araújo, em um parque estadual de Brumadinho, na Grande Belo Horizonte. A tentativa de feminicídio ocorreu na segunda-feira, 25, logo após ela deixar a filha na escola e seguir para o trabalho.
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Segundo a vítima, ela não percebeu que estava sendo perseguida pelo ex-companheiro durante todo o trajeto.
“Eu desci do ônibus normal para chegar no serviço. Quando eu subi a rua, o carro dele veio de frente para mim. Quando tentei correr, ele já veio logo atrás e me pegou: ‘Você vai entrar no carro e a gente vai ali só para conversar’. Sempre com a faca pressionando muito o meu pescoço”, contou ela em entrevista ao Fantástico, da Globo, exibida no domingo, 31.
“Aí me levou até o carro, me colocou dentro do veículo, todo nervoso, bem agitado”, continuou Ana Cláudia.
Dentro do carro, a tensão continuou. “Teve uma hora em que eu falei para ele: ‘Você está me levando para me matar, né?’. Aí ele deu aquele sorriso cínico. Ele falou: ‘Não, Cláudia. Eu não estou te levando para matar. Eu te amo’. Chegou lá [no parque]... É para contar todos os detalhes mesmo? Até o que ele fez eu fazer nele? É muito ruim relembrar”, disse Ana, insinuando que foi vítima de abuso sexual.
Após cerca de duas horas de agressões, Silvanildo começou a procurar um ponto específico do penhasco. Segundo a vítima, ele queria ter certeza de que ela morreria na queda.
“Ele ia próximo ao penhasco e falava assim comigo: ‘Aqui não, aqui não dá para você morrer’. Me puxava com força para outro ponto do penhasco e dizia: ‘Aqui ainda não dá para você morrer’. Depois me puxava de novo: ‘Não, não dá para você morrer’. Aí eu comecei a me debater com ele, só que não consegui fazer nada.”
Ana Cláudia foi então jogada de um paredão de aproximadamente 50 metros de altura. Naquele momento, ela só conseguia pensar nos filhos.
“Naquele momento eram os meus filhos o tempo todo. Ali era o meu fim. Só que, mesmo durante a queda, parecia que Deus estava tão presente na minha vida que, enquanto eu caía, senti que não ia morrer.”
Após o crime, o agressor fugiu do local. No dia seguinte, foi preso depois de confessar o ataque. A prisão em flagrante foi convertida em preventiva. A defesa dele afirmou que o caso se trata de um incidente isolado. Ana e Silvanildo ficaram juntos por 12 anos. Segundo ela, o relacionamento sempre foi conturbado.
Em caso de violência contra a mulher, denuncie
Violência contra a mulher é crime, com pena de prisão prevista em lei. Ao presenciar qualquer episódio de agressão contra mulheres, denuncie. Você pode fazer isso por telefone (ligando 190 ou 180). Também pode procurar uma delegacia, normal ou especializada. Saiba mais sobre como denunciar aqui.