Juízes são vítimas de racismo durante live sobre igualdade de gênero no PR

Criminosos invadiram a transmissão com ofensas de cunho racial; o caso está sob investigação da Polícia Civil

23 mar 2026 - 16h07
Juízes são vítimas de racismo durante live sobre igualdade de gênero no PR
Juízes são vítimas de racismo durante live sobre igualdade de gênero no PR
Foto: Reprodução/CNJ/Instagram

Dois juízes foram vítimas de ataques racistas durante uma transmissão online do Tribunal de Justiça do Estado do Paraná (TJ-PR). Diversos perfis invadiram a seção de comentários da live com ofensas direcionadas aos juízes. O caso é investigado pela Polícia Civil.

O crime aconteceu na última quarta-feira, 18, durante a apresentação dos programas “Paraná Lilás” e “Brasil Lilás”, iniciativas lançadas pelo Conselho Nacional de Justiça (CNJ) e o TJPR voltadas à prevenção da violência de gênero e à promoção da igualdade por meio da educação. 

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O evento foi realizado no assentamento Pontal do Tigre, em Querência do Norte, e transmitido ao vivo pelo Youtube para escolas da rede estadual. Durante a live, perfis com nomes falsos publicaram comentários ofensivos como “Pantera Negra não tinha morrido?”, “O carvão que saiu da churrasqueira, como veio parar aqui?”, “Sósia do Vini Júnior?” e “A cor do pecado”, entre outros.

Os ataques foram direcionados a Fábio Francisco Esteves, conselheiro do CNJ, e Franciele Pereira do Nascimento, juíza auxiliar da presidência do Supremo Tribunal Federal (STF). Ambos pessoas negras. 

Caso será investigado

Após a repercussão do crime, STF e CNJ publicaram uma nota em conjunto repudiando o ocorrido. “É absolutamente intolerável que, no exercício de suas funções institucionais e em um espaço dedicado ao debate de políticas públicas e direitos fundamentais, sejam realizadas ofensas criminosas que tentam ferir a dignidade e a própria autoridade da Justiça brasileira”, diz o comunicado.

“O STF e o CNJ expressam sua irrestrita solidariedade aos juízes Franciele e Fábio, cujas trajetórias de excelência e compromisso com a causa pública honram a magistratura brasileira. Reafirmamos que o racismo, em qualquer de suas formas, não é apenas um ataque individual, mas uma agressão direta aos valores democráticos e aos pilares da Constituição Federal de 1988, que estabelece a promoção do bem de todos, sem preconceitos de raça, como objetivo fundamental da República brasileira”, ressalta o comunicado. 

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Segundo a nota, todas as providências legais e administrativas foram tomadas. “Os comentários ofensivos foram imediatamente bloqueados e registrados, e as respectivas provas digitais preservadas para fins de rigorosa apuração criminal. Diligências imediatas foram adotadas perante a autoridade policial da Comarca de Loanda, incluindo a solicitação de quebra de sigilo de dados junto aos provedores de internet para a célere identificação e responsabilização dos autores”, afirmou o STF e CNJ. 

Ao Terra, a Polícia Civil do Paraná confirmou o registro da ocorrência e que as investigações já estão em andamento. 

A desembargadora Lidia Maejima, atual presidente do Tribunal de Justiça do Paraná (TJ-PR), também se manifestou sobre os ataques racistas no início de uma sessão plenária nesta segunda-feira, 23. 

“Que um ato de ódio tenha irrompido precisamente nesse espaço não é ironia, é uma afronta que exige resposta clara. Agredir um ser humano em um evento oficial não é apenas um atentado ao indivíduo, é uma afronta à Justiça e a todos que nela confiam. [...] O Tribunal de Justiça do Paraná não será conivente com o racismo", disse Maejima. 

Fonte: Portal Terra
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