O atual CEO da Ford, Jim Farley, decidiu se desfazer de um carro nada comum: um DeTomaso Pantera 1972 que, além de clássico, tem uma história curiosa — já foi usado como carro de empresa dentro da própria Ford.
A informação foi revelada pelo site Carscoops, que detalha a trajetória do modelo e o contexto do leilão. Sim, você leu certo. Um superesportivo de motor central servindo como "pool car". Outros tempos.
O modelo em questão é um Pantera da fase pré-L, versão mais antiga e hoje mais rara. Mas o que realmente chama atenção não é só o carro em si, e sim o pacote completo: história corporativa, dono ilustre e uma boa dose de preparação mecânica.
Antes de parar na garagem de Farley, o esportivo amarelo teve uma trajetória incomum. Em vez de ir para um cliente endinheirado ou concessionária, ele foi destinado à divisão Ford Aerospace, mais especificamente ao setor Aeronutronic, onde teria sido utilizado como veículo compartilhado da empresa.
Na prática, isso significa que a Ford já tratou um superesportivo italiano com motor V8 como se fosse carro de frota. Hoje, isso soa improvável — na época, aparentemente, nem tanto.
O carro acabou sendo registrado como veículo particular apenas em 1974, na Califórnia, encerrando sua fase "corporativa" e iniciando a vida como clássico.
Acidente, restauração e upgrades
A história não para por aí. Antes de chegar às mãos de Farley, o Pantera já havia sido leiloado em 2018 — e chegou a sofrer um acidente durante um test drive. Felizmente, os danos foram apenas estéticos.
O executivo da Ford comprou o carro em 2024 por US$ 121 mil em um novo leilão e, desde então, promoveu uma série de melhorias. Entre elas estão a revisão do motor e do câmbio, instalação de novo coletor de admissão, restauração das rodas e renovação do interior.
Atrás dos bancos está o clássico motor 351 Cleveland V8, que já entregava mais de 400 cv nas rodas antes mesmo das atualizações recentes. A força é enviada exclusivamente para as rodas traseiras por meio de um câmbio manual de cinco marchas da ZF.
O conjunto inclui ainda suspensão com coilovers ajustáveis e freios a disco, o que ajuda a tornar o carro mais utilizável — dentro do possível para um esportivo dos anos 1970.
No fim das contas, o Pantera que vai a leilão não é só mais um clássico antigo. Ele reúne três elementos que pesam forte nesse tipo de mercado: origem incomum dentro da Ford, propriedade de um executivo de alto escalão e um conjunto mecânico atualizado.
Resultado: quem levar esse carro para casa não estará comprando apenas um esportivo antigo, mas um pedaço curioso — e até meio improvável — da história da indústria automotiva.