Scooter com teto? BMW registra no Brasil modelo que dispensa capacete

Desenho da Vision CE foi publicado pelo INPI e resgata a proposta da antiga BMW C1, que utilizava estrutura de proteção e cinto de segurança para permitir a condução sem capacete

4 jun 2026 - 12h36

A BMW Motorrad registrou no Instituto Nacional da Propriedade Industrial (INPI) o desenho da Vision CE, conceito que resgata a filosofia da antiga C1, scooter com teto lançada pela marca no início dos anos 2000. O registro apareceu na edição publicada nesta terça-feira (2), mas a primeira apresentação pública do modelo ocorreu em setembro de 2025, durante a IAA Mobility, em Munique, na Alemanha.

O conceito elétrico propõe uma nova forma de deslocamento ao dispensar o uso de capacete e roupas de proteção convencionais. Há 25 anos, a fabricante alemã já havia causado impacto com o lançamento da BMW C1, scooter que utilizava uma estrutura de proteção e cinto de segurança para permitir que o piloto circulasse sem capacete em alguns países europeus.

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Agora, a BMW retoma essa filosofia e a adapta a uma nova realidade, marcada pela eletrificação. Segundo a fabricante, a Vision CE combina motorização elétrica, tecnologias de assistência e uma célula de proteção integrada para criar uma experiência de condução mais próxima da de um automóvel do que da de uma motocicleta tradicional.

A arquitetura também contribui para a aparência do conceito. A estrutura de proteção tem altura reduzida e desenho aberto, enquanto o entre-eixos longo ajuda a criar uma silhueta alongada. O resultado é um veículo que se distancia da aparência tradicional de scooters e motocicletas.

A Vision CE também reforça a estratégia de eletrificação da BMW Motorrad para veículos de duas rodas. Em 2014, a fabricante lançou a BMW C evolution, considerada a primeira scooter elétrica premium da marca. Em 2022 chegou ao mercado a BMW CE 04, que se tornou referência no segmento de scooters elétricas urbanas. Dois anos depois foi a vez da CE 02, modelo voltado a deslocamentos de curta distância.

Por enquanto, a Vision CE é apenas um estudo de design e tecnologia. A BMW não divulgou especificações técnicas, autonomia, potência ou previsão de produção. Ainda assim, o conceito oferece pistas sobre como a fabricante imagina a evolução do transporte individual nas próximas décadas.

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Mais do que apresentar uma nova scooter elétrica, a Vision CE levanta uma discussão que acompanha o setor há anos: até que ponto a tecnologia embarcada poderá compensar os riscos inerentes ao uso de veículos de duas rodas. Para a BMW, a resposta pode estar menos nos equipamentos que o piloto veste e mais na própria estrutura do veículo.

Em nota, a BMW Motorrad do Brasil afirmou que "está constantemente avaliando oportunidades no mercado brasileiro, com o objetivo de oferecer os modelos mais inovadores e desejados pelos nossos clientes". A fabricante ressaltou, porém, que o registro de um modelo junto ao Instituto Nacional da Propriedade Industrial (INPI) é um procedimento padrão para proteção da propriedade intelectual e "não significa que o produto será comercializado no mercado".

A marca acrescentou que monitora potenciais modelos para atender à demanda local, mas destacou que, neste momento, "não há confirmação de lançamento da maxi scooter com teto no Brasil".

BMW registra da Vision CE, a scooter com teto que se equilibra sozinha
BMW registra da Vision CE, a scooter com teto que se equilibra sozinha
Foto: Divulgação | BMW / Estadão

BMW C1

A ideia por trás da Vision CE não surgiu do nada. Ela é uma releitura da BMW C1, scooter lançada em 2000 que se tornou um dos projetos mais ousados da história da marca. Desenvolvida ao longo dos anos 1990, a C1 tentava combinar características de moto e automóvel ao adotar teto rígido, para-brisa com limpador, barras de proteção e cinto de segurança de três pontos. Graças a esse conjunto, alguns países europeus permitiam que o condutor circulasse sem capacete, algo praticamente impensável para uma motocicleta.

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Apesar da proposta inovadora, a C1 não alcançou o sucesso esperado. Equipada com motor monocilíndrico Rotax de 125 cm³ e 15 cv, a scooter pesava cerca de 185 kg, valor elevado para a categoria. Além disso, o preço era significativamente superior ao de scooters convencionais da época, enquanto o cinto de segurança e o desenho incomum afastavam parte do público. As vendas caíram rapidamente e a produção foi encerrada em 2002, após pouco mais de 33 mil unidades fabricadas. Ainda assim, o modelo ficou marcado como uma das experiências mais ousadas da BMW na busca por soluções para o deslocamento urbano.

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