O Departamento Estadual de Trânsito de São Paulo (Detran-SP) passou a realizar recalls diretamente nos pátios onde ficam veículos apreendidos no Estado. A iniciativa é feita em parceria com as montadoras Honda — que começou a fazer o trabalho há cerca de dois meses — e a Stellantis, dona das marcas Fiat, Jeep, Peugeot, Citroën, Ram e Leapmotor.
O serviço permite que os reparos obrigatórios aconteçam antes de o carro voltar a circular ou ir a leilão. O programa funciona por meio do cruzamento de dados entre o Detran-SP e as fabricantes.
A partir das placas e dos números de chassi dos veículos recolhidos, as montadoras identificam quais unidades ainda não passaram por campanhas de recall e organizam as equipes para fazer os reparos no próprio pátio.
Como funciona na prática
Imagine que um motorista tenha um Honda Fit apreendido em uma blitz. O carro é levado para um pátio do Detran-SP. A partir do cruzamento de informações, a Honda identifica que aquele veículo está parado no local e verifica se ele tem algum recall pendente — como o caso dos airbags Takata, um dos mais recorrentes no País.
Se o reparo não tiver sido feito, a fabricante envia equipe técnica até o pátio para realizar o serviço ali mesmo. O recall é uma obrigação legal da montadora acarretada por um defeito de fabricação. Portanto, é sempre gratuito para o proprietário. Concluído o reparo, o carro fica regularizado do ponto de vista da segurança.
Assim, quando o dono vai buscar o veículo ou quando ele é arrematado em leilão, já está com o problema corrigido e apto a circular.
1.400 carros em reparo
Segundo o Detran-SP, a Honda está no processo de reparo de cerca de 400 veículos. Desses, 51 já passaram pelo processo em cidades da região de Campinas e estão aptos a voltar à circulação.
Em outra etapa futura, a expectativa da fabricante japonesa é de reparar 272 veículos da marca em 21 pátios na capital e na Grande São Paulo.
A Stellantis firmou parceria para cruzamento de dados e regularização de 1.194 veículos no Estado. Nesta fase, 732 unidades estão concentradas na capital e na região metropolitana.
Diferença em relação ao recall tradicional
No modelo convencional, cabe ao proprietário levar o veículo até uma concessionária autorizada para realizar o reparo. No caso dos veículos apreendidos, o procedimento ocorre de forma invertida: as equipes vão até os pátios.
De acordo com o Detran-SP, a medida busca assegurar que carros recolhidos por irregularidades não retornem às ruas com falhas que ofereçam risco.
A maioria das ações, de acordo com o órgão, está relacionada aos airbags Takata. O defeito pode provocar o rompimento do insuflador no momento da ativação, projetando fragmentos metálicos dentro do carro e colocando os ocupantes em risco.
Muitos veículos apreendidos permanecem por longos períodos nos pátios. Parte acaba sendo recuperada pelos proprietários; outra segue para leilão.
Outras montadoras, segundo o Detran-SP, já manifestaram interesse em aderir à iniciativa.
A Honda afirmou em nota: "No Brasil, a intenção de troca de veículos por parte dos consumidores ocorre, em média, a cada três anos. Portanto, é comum que com o passar do tempo os carros mudem de donos, que nem sempre retornam às concessionárias para realizar as revisões e eventuais reparos periódicos, dificultando a atualização dos dados e o contato com o proprietário."
O Jornal do Carro entrou em contato com a Stellantis, que não retornou até a publicação desta reportagem.