O MG4 Urban chegou ao Brasil com uma promessa que chamou atenção: porta-malas de 577 litros na versão Comfort. O número, porém, gerou dúvidas entre consumidores por utilizar uma metodologia diferente da mais comum na indústria automotiva.
Na internet, algumas pessoas estranharam. O valor é o mesmo indicado na ficha técnica britânica do modelo, onde está descrito que ele corresponde à medida do assoalho até o teto, somada aos 98 litros do compartimento localizado abaixo do piso principal.
Apesar de não fornecer a mesma descrição na ficha técnica disponível para o Brasil, a MG Motors confirmou ao Jornal do Carro que a medição utilizada é, de fato, a aferição completa do bagageiro, também chamada de litragem completa:
"Sim, a especificação de 577 litros informada para o MG4 Urban corresponde à medição da capacidade volumétrica total do compartimento de bagagem, o que inclui o volume do assoalho ao teto e o compartimento inferior (subassoalho) de 98 litros. Essa é a especificação técnica oficial do modelo", respondeu a MG.
Descobri uma tramoia inacreditável do MG4 Urban :
Divulgaram uma capacidade de porta-malas de 577 litros - que seria fenomenal - que foi repetida acriticamente por praticamente todos canais automobilísticos que cobriram o lançamento.
Mas...
NÃO É o volume até a tampa, e… pic.twitter.com/02Gg9lTebz
— Frankito, o Curioso® (@WeiseFranklin) July 26, 2026
Por que a medição do porta-malas do MG4 não representa o uso real?
Apesar de ser uma forma conhecida de medição, a litragem completa não corresponde exatamente ao espaço utilizável do porta-malas, uma vez que a legislação brasileira proíbe que objetos obstruam a visão traseira.
Antes de comparar os números, é importante entender que existem diferentes métodos utilizados pela indústria automotiva para medir o volume dos porta-malas. Os principais são o VDA, mais comum entre fabricantes europeus, e o SAE, bastante utilizado nos Estados Unidos.
O VDA utiliza blocos idênticos de 1 litro, distribuídos de forma organizada pelo bagageiro até o limite em que a tampa possa ser fechada sem dificuldades. Como os blocos possuem o mesmo formato, eles não ocupam completamente os espaços mais estreitos, resultando em uma medição mais conservadora.
Já o método SAE utiliza blocos de formatos variados, permitindo preencher melhor os vãos e espaços irregulares do compartimento. Assim como o VDA, porém, considera apenas o volume até a altura do tampão, preservando a visão traseira do motorista.
A litragem completa, método utilizado pela MG, considera todo o volume físico disponível no compartimento. É como se o porta-malas fosse preenchido com água até o teto, incluindo áreas que normalmente não seriam utilizadas no dia a dia. Por isso, é uma medida mais otimista, mas também mais distante da utilização prática de um porta-malas.
Existe uma medida correta?
Na internet, a MG chegou a ser acusada de "propaganda enganosa" ao divulgar a litragem completa do bagageiro. No entanto, no Brasil, a legislação não determina um padrão fixo obrigatório para a medição de porta-malas.
O que existem por aqui são as normas da ABNT, que definem o padrão VDA. Elas, porém, não têm força de lei, e a medição e divulgação dos dados ficam a critério da fabricante.
"Adotamos essa especificação por se tratar do padrão global de medição volumétrica da Saic Motor, nossa matriz. Optamos por manter esse critério para garantir a consistência das informações em todos os mercados onde a marca atua, permitindo que o consumidor conheça a capacidade volumétrica total e a versatilidade que o projeto do veículo oferece", explica a MG.
Além disso, as marcas também não são obrigadas por lei a divulgar o padrão de medição utilizado aos seus clientes.
Apesar das reclamações observadas na internet, a MG afirma que nenhum cliente entrou em contato diretamente com a empresa para questionar a medida do bagageiro do MG4 Urban.
"Até o momento, a marca não recebeu reclamações de proprietários do MG4 Urban a respeito do espaço do porta-malas. O veículo foi projetado para oferecer excelente espaço interno, praticidade e segurança, atendendo plenamente às exigências do mercado brasileiro e às expectativas dos nossos clientes", diz a MG.