O Omoda 5 híbrido chega ao Brasil para rivalizar com Corolla Cross e Compass, destacando-se pelo motor de 224 cv que vai de 0 a 100 km/h em 7,9 s e faz até 19 km/l sem precisar de tomada. Custando entre R$ 164.990 e R$ 184.990, o SUV agrada pela dinâmica e suspensão bem calibrada para o país, além do bom pacote de itens de série. Seus pontos fracos ficam por conta do acabamento interno simples, da ergonomia do volante e do porta-malas reduzido de apenas 371 litros com kit de reparo.
O mercado brasileiro de SUVs médios tem um concorrente disposto a incomodar nomes consolidados como Toyota Corolla Cross, Jeep Compass e até versões mais caras de Volkswagen T-Cross e Nivus. É o Omoda 5 híbrido, que chega apostando justamente em dois argumentos que têm pesado cada vez mais na decisão de compra: ser um híbrido que dispensa tomada para ser carregado e uma lista enorme de equipamentos de série.
E olha que ele não faz feio no número de vendas. É atualmente o vigésimo SUV mais vendido do país, ficando atrás de Toyota Yaris Cross, mas à frente dos conhecidos Jeep Commander, Renault Kardian e Volkswagen Taos — segundo dados de junho fornecidos pela Federação Nacional da Distribuição de Veículos Automotores.
Mas a marca chinesa vai além. Em vez de simplesmente oferecer um conjunto híbrido para reduzir consumo, desenvolveu um sistema que entrega desempenho digno de SUVs turbo mais potentes sem abrir mão de médias próximas às de compactos. O resultado é um carro que acelera de 0 a 100 km/h em apenas 7,9 segundos, mas pode registrar consumo próximo de 19 km/l em condições favoráveis de uso, conforme observado durante a avaliação do Jornal do Carro (veja no vídeo).
Design aposta em personalidade própria
Antes de falar do desempenho, é importante falar da estética do modelo. Embora compartilhe sua origem com outros produtos do grupo Chery, o Omoda 5 tem identidade visual bastante distinta. A dianteira chama atenção pela enorme grade em formato de diamante, além dos faróis divididos e das luzes diurnas em LED integradas ao acabamento preto que percorre toda a frente do veículo.
Na traseira, o caimento do teto lembra SUVs de perfil cupê, enquanto as lanternas horizontais reforçam a sensação de largura. Apesar do aspecto de barra luminosa, apenas as extremidades possuem LED.
As rodas de 18 polegadas são de série nas duas versões disponíveis no Brasil, mudando apenas o desenho entre Luxury e Prestige. Também fazem parte do pacote desde a configuração de entrada itens como teto solar e retrovisores com acabamento escurecido.
Com 4,44 metros de comprimento, o Omoda 5 fica muito próximo de Jeep Compass e Toyota Corolla Cross em tamanho externo. A largura também é semelhante à dos principais rivais, posicionando o SUV acima dos utilitários compactos tradicionais.
Na prática, isso significa espaço interno suficiente para quatro adultos viajarem confortavelmente. Já um quinto ocupante no banco traseiro encontrará menos conforto, principalmente por causa do túnel central e do porta-copos integrado ao apoio de braço.
O porta-malas, por outro lado, não acompanha o restante do conjunto. São 371 litros de capacidade, volume inferior ao dos principais concorrentes, ficando mais próximo do Volkswagen T-Cross do que de Compass e Corolla Cross. Outro detalhe é a ausência de estepe, substituído por kit de reparo, o que pode não agradar os consumidores que preferem a garantia do pneu extra para continuar rodando em caso de emergência.
Sistema híbrido
O grande destaque do Omoda 5 está sob o capô. O conjunto híbrido combina um motor 1.5 turbo a gasolina de 135 cv com um propulsor elétrico de 204 cv. A potência combinada chega a 224 cv, enquanto o torque máximo alcança 30 kgfm.
Na prática, a proposta do sistema difere da adotada por modelos como o Toyota Corolla Cross Hybrid. Enquanto no SUV japonês o motor a combustão participa com mais frequência da tração das rodas, no Omoda o propulsor térmico trabalha prioritariamente como gerador de energia para alimentar o sistema elétrico, entrando na tração apenas quando necessário. Isso reduz ruído, melhora a eficiência e proporciona respostas bastante rápidas ao acelerador.
Tanto que o SUV da Toyota oferece quase metade da potência do Omoda, com apenas 122 cv. Durante a condução, o resultado impressiona.
As retomadas são rápidas, ultrapassagens acontecem com facilidade e o modo Sport dá uma leve apimentada no comportamento do SUV, entregando acelerações ligeiramente mais vigorosas mesmo com o veículo carregado.
Dinamicamente, contudo, é a suspensão que mais chama atenção no Omoda 5. Se muitos carros chineses ainda recebem críticas pelo acerto excessivamente macio da suspensão, o SUV deste teste segue caminho diferente.
O conjunto foi claramente calibrado pensando também no gosto do consumidor brasileiro. A suspensão filtra bem irregularidades sem comprometer o controle da carroceria e transmite confiança em curvas de alta velocidade.
É um dos acertos mais convincentes entre os SUVs chineses avaliados recentemente, oferecendo um equilíbrio muito interessante entre conforto e estabilidade.
Interior
Ao entrar na cabine, fica evidente a preocupação da Omoda em transmitir sensação de sofisticação. A intenção pode ter sido boa; o resultado, nem tanto.
O painel reúne duas telas curvas de 12,3 polegadas, uma destinada ao quadro de instrumentos e outra ao sistema multimídia. O conjunto oferece Android Auto e Apple CarPlay sem fio, carregador de celular por indução refrigerado, comandos por voz, iluminação ambiente configurável e acabamento predominantemente em materiais macios ao toque.
Outro pênalti é o volante, que possui diâmetro grande e posição que exige adaptação do motorista por ficar muito inclinado, parecido com volante de van. Já o sistema de regeneração de energia, quando configurado no nível máximo, provoca desacelerações bastante bruscas abaixo de aproximadamente 15 km/h, exigindo certo período de adaptação (não vela rodar no modo máximo, fica a dica).
Vale a pena?
Ou seja, nem tudo é perfeito. A guerra de preço é um cobertor curto. E a Omoda fez uma escolha muito clara: ter um carro dinamicamente melhor que a média dos chineses, mas que deixou falhas no acabamento pelo caminho. Na minha opinião, totalmente justificáveis e aceitáveis, devido ao prazer de dirigir que é muito superior à média dos concorrentes conterrâneos.
O Omoda 5 híbrido chega ao Brasil ocupando uma faixa de preço entre R$ 164.990 e R$ 184.990. Dentro desse intervalo, oferece desempenho superior ao de boa parte dos rivais, bom nível de consumo de combustível, mas acabamento abaixo da média dos chineses que desembarcaram recentemente no país.
O conjunto convence. Para quem procura um SUV eletrificado sem pagar os valores cobrados pelos modelos híbridos tradicionais, o Omoda 5 surge como uma das opções mais interessantes da categoria e mostra que a Omoda&Jaecoo está deixando de competir apenas pela ótima lista de equipamentos para disputar espaço também pelo consumidor que gosta de dirigir.
Ficha técnica Omoda 5:
- Conjunto motriz: 1.5 turbo a gasolina + motor elétrico dianteiro;
- Motor a combustão: 1.5 turbo, 4 cilindros;
- Potência do motor a combustão: 135 cv;
- Torque do motor a combustão: 20,4 kgfm;
- Motor elétrico: Dianteiro;
- Potência do motor elétrico: 204 cv;
- Torque do motor elétrico: 31,6 kgfm;
- Potência combinada: 224 cv;
- Torque combinado: 30,1 kgfm;
- Câmbio: DHT (Dedicated Hybrid Transmission);
- Comprimento: 4,44 m;
- Largura: 1,82 m;
- Altura: 1,58 m;
- Entre-eixos: 2,61 m;
- Porta-malas: 371 litros;
- Bateria de tração: 1,83 kWh;
- 0 a 100 km/h: 7,9 segundos.