Museu Carde vende Jaguar que foi de Nelson Piquet por R$ 7 milhões; veja fotos

Venda de Outono teve ainda dois Opalas de R$ 550 mil e um Passat quase zero-quilômetro

22 jun 2026 - 05h31

O Jaguar XJ220 que foi do tricampeão de Fórmula 1 Nelson Piquet - e que foi apresentado no Salão do Automóvel de São Paulo de 1994 - deixou o acervo do museu Carde por R$ 6,9 milhões, durante o leilão beneficente organizado pela entidade há um mês. O balanço do evento foi divulgado na última terça-feira (2).

De acordo com o museu, dos três leilões beneficentes realizados - Winter Sale, em julho, e Spring Sale, em novembro - a chamada Venda de Outono foi o mais disputado, com 789 lances e 43 mil acessos ao site oficial. Dos 54 lotes, 50 foram comercializados, somando R$ 26 milhões. Do total, R$ 1,2 milhão será destinado à Fundação Lia Maria Aguiar, mantenedora do Carde.

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Os clássicos mais cobiçados, contudo, foram os dois Opalas oriundos do programa Chevrolet Vintage, arrematados por R$ 550 mil cada: o verde, de 1979, teve 38 lances e o amarelo, de 1976, 50 ofertas.

Outro nacional bem disputado foi o Volkswagen Passat GTS Pointer 1988, com apenas 400 quilômetros rodados, comercializado por R$ 412,5 mil.

O próximo leilão do Carde está programado para o fim do ano.

Ícone dos anos 1990

Os anos 1980 e 1990 foram prolíficos na produção de superesportivos, como Ferrari F40, Porsche 959, Bugatti EB110 e McLaren F1.

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Tão veloz, exótico, exclusivo e raro - mas nem sempre reconhecido assim -, o Jaguar XJ220 faz parte desse exclusivo clube. Aliás, foi de um clube que o XJ220 nasceu, há pouco mais de 30 anos.

No final de 1987, a Jaguar tinha acabado de vencer o World Sport-Prototype Championship com um XJR-8. Jim Randle, então chefe de engenharia da fabricante inglesa, pensou que era o momento certo para a marca ter um carro de corrida homologado para as ruas.

Como sabia que a Jaguar jamais patrocinaria tal extravagância, Randle recrutou voluntários da própria fabricante para desenvolver o projeto, fora do horário de expediente. Daí surge o Saturday Club, uma reunião de 12 engenheiros da Jaguar que se encontravam aos sábados para planejar o próximo supercarro da empresa.

O conceito foi adiante e a Jaguar decidiu exibi-lo durante o British International Motor Show de 1988; quatro anos depois, a versão de produção estava pronta e chegava às lojas.

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Para alcançar níveis de desempenho até então inéditos para um Jaguar, a empresa contratou a Tom Walkinshaw Racing como parceira na construção do carro. Projetado para ter um V12 e tração integral, o XJ220 acabou equipado com um 3.5 V6 biturbo (central), que despejava seus 550 cv e 65,3 kgfm de torque nas rodas traseiras por meio de um câmbio manual de cinco marchas.

Contudo, boa parte dos clientes já havia depositado £ 50.000 de sinal para ter um Jaguar V12, e não V6 - o que gerou à fabricante alguns processos judiciais. Mesmo assim, o XJ220 se tornou o carro mais rápido do mundo em 1992, ao atingir 340 km/h de velocidade máxima. Até mesmo pneus especiais, nas medidas 345/35, de 18 polegadas, a Bridgestone desenvolveu especialmente para ele.

Ainda que custasse exorbitantes £ 470.000, deu prejuízo à Jaguar. Em 1994, o XJ220 saiu de cena após 275 unidades produzidas.

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