A geração Z tem rejeitado os SUVs e resgatado os sedãs, priorizando modelos clássicos como Honda Civic e Toyota Camry, que dominam as preferências dos jovens dos EUA. Essa mudança de comportamento, motivada pela busca por veículos mais acessíveis, pressiona montadoras como Ford e GM a reconsiderarem o abandono desse segmento para não perderem espaço para rivais asiáticas. Para viabilizar esse retorno com rentabilidade, as fabricantes americanas agora avaliam novas opções híbridas e elétricas.
Cada geração de americanos parece ter algum problema com o carro da família que veio antes dela. As peruas deram lugar às minivans, que acabaram cedendo espaço nas garagens dos Estados Unidos aos SUVs. Agora, talvez seja a vez de a geração Z torcer o nariz para o SUV da família. Em seu lugar, os jovens estão escolhendo o clássico sedã.
Uma análise publicada em setembro pelo Compare.com, site de comparação de seguros, avaliou mais de 58 milhões de cotações de seguro de automóveis e constatou que oito dos dez modelos mais usados pela geração Z eram sedãs. Honda Civic, Honda Accord e Toyota Camry lideravam a lista. Os outros dois eram picapes grandes: Ford Série F e Chevrolet Silverado. Nenhum SUV apareceu no ranking.
Quanto mais jovem a geração, maior parece ser sua afinidade com os sedãs, enquanto os SUVs perdem espaço nas listas. Entre os millennials, seis dos dez modelos mais populares eram sedãs. Na geração X, eram cinco; entre os baby boomers, apenas três. No grupo mais velho, cinco dos dez modelos eram SUVs.
"O mercado de sedãs é muito dinâmico", disse Jim Farley, CEO da Ford, ao *Automotive News*, durante o Salão de Detroit, em janeiro. "Não é que não exista mercado. É que não encontramos uma maneira de competir e ter lucro."
Agora, Detroit está reconsiderando essa decisão. Ford e GM avaliam uma possível volta aos sedãs à medida que os consumidores procuram veículos mais acessíveis, informou o The Wall Street Journal em fevereiro.
O presidente da GM, Mark Reuss, disse em uma reunião interna da empresa que "daria tudo para ter um sedã híbrido". Já a Ford informou aos concessionários, em fevereiro, que planeja lançar cinco modelos inteiramente novos com preços abaixo de US$ 40 mil até 2030, abrangendo sua linha de "carros, picapes, SUVs e vans", segundo o *Automotive News*.
Boyce alertou que as fabricantes americanas precisam repensar suas estratégias de produto agora. Caso contrário, correm o risco de perder a próxima geração de compradores para concorrentes japonesas e sul-coreanas que continuam oferecendo sedãs.
Tucker, por sua vez, vê uma possível solução nos veículos elétricos. Segundo ele, a flexibilidade de suas plataformas pode reduzir o custo de desenvolvimento de diferentes modelos. Como exemplo, citou a Universal Electric Vehicle Platform, da Ford, que servirá de base para a Ford Fathom, picape elétrica média com preço inicial pouco abaixo de US$ 30 mil e abertura de reservas prevista para o início de 2027.
A Ford "poderia facilmente desenvolver um sedã a partir dela se o mercado demonstrasse interesse", afirmou.
A pergunta continua: a geração Z ainda vai querer sedãs quando os filhos e os salários maiores entrarem em cena?