Estudo mostra aumento de mortes e atropelamentos em vias com Faixa Azul

Relatório encaminhado à Senatran aponta alta nos principais indicadores de acidentes após a implantação da sinalização exclusiva para motociclistas

28 jun 2026 - 09h32
(atualizado às 09h33)
Faixa Azul para motos na avenida Sumaré
Faixa Azul para motos na avenida Sumaré
Foto: Werther Santana/Estadão / Estadão

Um relatório da Companhia de Engenharia de Tráfego (CET) obtido pelo Metrópoles por meio da Lei de Acesso à Informação (LAI) aponta aumento no número de mortes, acidentes e atropelamentos nas vias de São Paulo que receberam a Faixa Azul para motocicletas.

O estudo, que compara os períodos antes e depois da implantação da sinalização exclusiva e foi encaminhado à Secretaria Nacional de Trânsito (Senatran), mostra piora em todos os indicadores analisados e servirá de base para que o órgão federal decida se o projeto piloto será regulamentado em definitivo ou revisto.

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A Faixa Azul é uma faixa exclusiva para motocicletas implantada em caráter experimental em vias de São Paulo. Localizada entre a primeira e a segunda faixa de rolamento, a sinalização busca organizar a circulação das motos e aumentar a segurança no trânsito. O projeto ainda é avaliado pela Senatran.

Mortes cresceram quase 20%

Segundo o relatório, o número de mortes nas vias com Faixa Azul passou de 57 antes da implantação para 68 depois da adoção da sinalização, aumento de 19,2%.

Também houve crescimento de 17,5% nos sinistros fatais envolvendo motociclistas, que passaram de 57 para 67 ocorrências. De acordo com a CET, o fluxo de motocicletas nas vias analisadas aumentou cerca de 10,9% no período.

Atropelamentos tiveram a maior alta

O maior aumento registrado foi entre os atropelamentos fatais. Antes da implantação da Faixa Azul, dez pedestres morreram atropelados nessas vias. Após a instalação da faixa exclusiva, o número subiu para 25, alta de 150%.

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Os atropelamentos com vítimas não fatais também cresceram 24%, passando de 125 para 155 casos. Já os acidentes entre carros e motocicletas com vítimas não fatais aumentaram 13,8%, de 2.016 para 2.295 registros.

No total, o número de vítimas não fatais passou de 2.455 para 2.840 pessoas, crescimento de 15,6%.

Metodologia

Apesar do aumento dos indicadores absolutos, a CET conclui no relatório que a Faixa Azul se consolidou como uma tecnologia de preservação da vida.

Para sustentar essa conclusão, a companhia utilizou um indicador denominado "Taxa de Severidade", que leva em consideração fatores como extensão da via, volume diário de veículos e período analisado. Segundo esse cálculo, o índice médio caiu de 7,9 para 5,8 pontos, redução de 26,5%.

A metodologia, porém, é alvo de críticas por atribuir o mesmo peso estatístico a vias com volumes de tráfego bastante diferentes.

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O relatório informa que parte dos acidentes fatais não possuía indicação sobre se ocorreu dentro ou fora da Faixa Azul.

Segundo a reportagem do Metrópoles, esses registros sem localização definida foram contabilizados pela CET como ocorridos fora da faixa exclusiva na apresentação dos resultados consolidados. A classificação é utilizada pela prefeitura para sustentar que parte do aumento dos acidentes estaria relacionada ao fato de motociclistas não utilizarem corretamente a Faixa Azul.

Senatran decidirá futuro do projeto

Como a Faixa Azul segue em caráter experimental, caberá agora à Senatran analisar a consistência técnica do relatório antes de decidir se a sinalização poderá ser regulamentada em definitivo ou se o projeto precisará ser revisto.

Até que essa análise seja concluída, as faixas já implantadas permanecem em operação, mas novas expansões do projeto dependem da decisão do órgão federal.

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