Como o Honda CR-V que emite água pelo escapamento pode revolucionar a recarga de veículos elétricos?

Jornal do Carro visitou uma planta de produção de hidrogênio verde, que torna possível a eletrificação de caminhões e ônibus com abastecimento em cinco minutos

8 fev 2026 - 18h43

Um combustível feito a base de água e que pode resolver a questão da emissão de poluentes de caminhões e ônibus? Sim, ele existe e pode ser chamado de hidrogênio verde.

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O Jornal do Carro foi até Brasília (DF) para acompanhar de perto a produção desse combustível tão promissor em uma das primeiras plantas do Brasil. Ela pertence a Neoenergia, que por sua vez, tem parceria com a Honda que ofereceu o CR-V e:FCEV para o período de testes.

O projeto integra o Programa de Pesquisa, Desenvolvimento e Inovação (PDI), regulado pela Aneel, Agência Nacional de Energia Elétrica, com investimento superior a R$ 30 milhões.

Porque Hidrogênio Verde?

Para ser considerado verde a energia que é utilizada para quebrar a molécula da água (H2O) tem que ser proveniente de fontes renováveis, como eólica, hidrelétrica ou solar.

Na planta de Brasília, a Neoenergia optou por captar essa energia de 220 painéis solares.

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Hidrogênio Verde
Hidrogênio Verde
Foto: Divulgação/Honda / Estadão

Essa energia é revertida para tanques de água, que é ultra pura e passa por um processo de desmineralização, e é realizada a eletrólise, que nada mais é que a separação das moléculas para a captura do hidrogênio.

Hidrogênio Verde é armazenado em cilindros especiais
Foto: Divulgação/Honda / Estadão

Esse gás é armazenado e comprimido a duas pressões distintas: 350 bar (para abastecimento de pesados) e 700 bar (para veículos leves).

A diferença é o espaço que o hidrogênio ocupa nos tanques, quanto maior a pressão mais comprimido os gases ficam e para os carros há uma limitação de espaço, já nos caminhões e ônibus não há uma restrição tão grande quanto ao tamanho do tanque de combustível.

A partir daí o hidrogênio é acondicionado em tanques específicos para abastecer os veículos.

Abastecimento em cinco minutos

A grande vantagem do hidrogênio é que ele "carrega" veículos elétricos em apenas 5 minutos. Isso porque existe uma célula de combustível que abastecida de hidrogênio já é capaz de tracionar as rodas, portanto a bateria não precisa ter uma capacidade de armazenamento muito grande, pois na tecnologia e:FCEV ela funciona como um backup de energia.

O hidrogênio reage com o oxigênio do ar para gerar eletricidade, que alimenta tanto a bateria quanto a célula de combustível, liberando apenas água pelo escapamento.

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Hidrogênio Verde
Foto: Divulgação/Honda / Estadão

No caso do CR-V a bateria tem capacidade de 17,7 kWh e a autonomia no ciclo norte-americano é de 430 km.

O fato de usar uma bateria menor reduz muito o peso total do carro e a bateria é um dos itens que mais acrescenta peso em um carro elétrico.

Porque o hidrogênio verde pode tornar o nosso transporte limpo?

A resposta é simples. A célula de combustível elimina o tempo de recarga maior e abandona a necessidade de grandes baterias no assoalho. Esses sempre foram os dois grandes problemas para eletrificação da frota de caminhões e ônibus e foram solucionados pela tecnologia de célula a combustível abastecida com hidrogênio verde.

Porém como toda nova tecnologia o custo ainda é elevado tanto para produzir hidrogênio verde, quanto o desenvolvimento e a fabricação de células de combustível. E o Brasil pode estar na vanguarda dessa tecnologia por ter uma matriz energética limpa.

"Graças as nossas condições energéticas é possível tornar o Brasil uma referência em descarbonização da frota e o caminho é o hidrogênio verde", diz Tatsumi Igarashi, Head de Hidrogênio e Derivados da Neoenergia.

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A Iberdrola, empresa espanhola que controla a Neoenergia, é uma das líderes nesse segmento, já opera projetos semelhantes na Europa e aposta no Brasil como referência global em energia limpa e tecnologias emergentes, como o hidrogênio verde.

Na planta de Brasília a Neoenergia além do CR-V também testa ônibus e caminhões movidos a célula de combustível para verificar a viabilidade de expandir a tecnologia, que claramente precisaria de incentivos governamentais para ser viável, mas poderia ser a grande solução para a descarbonização da frota de transporte brasileira.

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