A indústria brasileira de motocicletas caminha para registrar, em 2026, um dos maiores volumes de produção de sua história. De acordo com projeção da Abraciclo, entidade que reúne as fabricantes de motocicletas no País, unidades fabris instaladas no Polo Industrial de Manaus (PIM) devem produzir 2,07 milhões de motocicletas no próximo ano.
O número coloca 2026 como o terceiro melhor resultado da série histórica, atrás apenas de 2011 e 2008. A projeção foi divulgada nesta quinta-feira (15).
Os maiores anos da história da produção de motos no Brasil
Como dito, 2026 pode se concretizar como o terceiro maior ano da produção de motocicletas no Brasil. Na série histórica da Abraciclo, os maiores volumes de fabricação de motos foram registrados em:
- 2008: aproximadamente 2,14 milhões de unidades;
- 2011: cerca de 2,13 milhões de unidades;
- 2025: 1,98 milhão de unidades;
- 2026 (projeção): 2,07 milhões de unidades;
Se confirmada, a projeção para 2026 consolida a retomada estrutural do setor, após anos de retração em meados da década passada — em 2017, foram registradas apenas 882.876 mil motos produzidas
Mercado aquecido sustenta projeção otimista
Segundo a Abraciclo, o cenário positivo para 2026 é sustentado por três fatores principais:
- Demanda interna consistente;
- Crescimento contínuo do uso profissional;
- Manutenção do bom desempenho no varejo.
Em 2025, os licenciamentos de motocicletas somaram 2.197.851 unidades, alta de 17,1% sobre 2024 e recorde histórico para o varejo nacional, segundo a Fenabrave (Federação Nacional da Distribuição de Veículos Automotores).
Para 2026, a entidade projeta 2,3 milhões de emplacamentos, avanço de 4,6%.
Produção se diversifica e vai além da motocicleta básica
Um dos movimentos mais relevantes dos últimos anos é a diversificação da produção por categoria, o que indica uma indústria menos dependente exclusivamente dos modelos de entrada. Em 2025, as motocicletas de baixa cilindrada seguiram dominando a produção, com 77,7% do total fabricado.
Na análise por segmento, os dados mais recentes mostram que:
- Street continua como principal categoria, concentrando mais da metade da produção nacional;
- Trail aparece como o segundo maior segmento e mantém crescimento consistente nos últimos anos;
- Scooters e motonetas, apesar de oscilações mensais, seguem relevantes no contexto urbano;
- Segmentos como big trail, naked, sport e custom, embora ainda minoritários, vêm se consolidando como nichos importantes dentro da indústria.
Esse movimento reflete a adaptação da indústria a um consumidor mais diversificado — que vai do trabalhador urbano ao motociclista que utiliza a moto apenas para viajar aos finais de semana.
Exportações
As exportações, embora representem parcela menor do volume total, também seguem em trajetória de crescimento. Em 2026, a previsão é de 45 mil motocicletas embarcadas, número 4,4% superior ao registrado no ano anterior.
Demanda estrutural mantém o setor em patamar elevado
Para a Abraciclo, o crescimento recente não é pontual. Trata-se de uma mudança estrutural no mercado brasileiro, impulsionada pela urbanização, pela busca por alternativas de mobilidade e pelo uso da motocicleta como instrumento de geração de renda.
Se confirmadas, as projeções colocam 2026 como um marco histórico recente da indústria motociclística nacional, consolidando a motocicleta como um dos pilares mais resilientes do setor automotivo brasileiro.