A Anfavea (Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores) divulgou suas perspectivas para a indústria automotiva em 2026, apontando para um cenário de continuidade do crescimento. Os dados, revelados na primeira coletiva de imprensa do ano, indicam que a produção nacional deve ser o grande destaque, com uma alta estimada superior à das vendas internas.
Projeções 2026: o que esperar
O otimismo moderado da Anfavea se reflete nos três principais pilares do setor: produção, emplacamento e exportação.
Produção: É a maior aposta de crescimento percentual para o ano. A Anfavea estima que 2,741 milhões de autoveículos sairão das linhas de montagem em 2026, um aumento de 3,7% sobre os 2,644 milhões de 2025. O segmento de leves puxará essa fila (+3,8%), enquanto pesados terão alta mais tímida (+1,4%).
Emplacamentos (Vendas): O mercado interno deve continuar aquecido, alcançando a marca de 2,762 milhões de unidades vendidas. Isso representa uma alta de 2,7%. Mas a projeção indica uma leve retração para caminhões e ônibus (-0,5%), contrastando com a alta de 2,8% nos veículos leves.
Exportações: Após um salto em 2025, a expectativa é de estabilidade com viés de alta. A projeção é enviar 536 mil unidades ao exterior, um crescimento de 1,3%.
2025: virada na balança comercial
Para entender as metas de 2026, é preciso olhar para o retrovisor. O ano de 2025 marcou uma retomada importante na balança comercial do setor. Pela primeira vez desde a crise recente, o Brasil voltou a exportar mais carros do que importou: foram 529 mil exportações contra 498 mil importações.
Dois fatores foram decisivos para esse cenário:
O "Fator Argentina": O país vizinho voltou a comprar com força. As exportações para a Argentina dispararam impressionantes 85,6% em 2025, totalizando mais de 302 mil unidades. Isso compensou quedas significativas em outros mercados importantes, como México (-16,5%) e Uruguai (-9,6%).
A Invasão Chinesa: Do lado das importações, a China consolidou sua força. O volume de carros vindos do gigante asiático cresceu 55,6%, somando mais de 187 mil unidades. A China já encosta na Argentina como principal origem dos carros importados vendidos no Brasil, enquanto parceiros tradicionais como o México viram sua participação cair (-28,7%).