Poucos jogos brasileiros carregam um peso histórico tão grande quanto Outlive. Lançado no início dos anos 2000 e publicado pela Take-Two Interactive, o título se tornou um marco ao colocar um jogo nacional de estratégia em tempo real (RTS) no radar internacional, em uma época em que a indústria local ainda dava seus primeiros passos.
Décadas depois, Outlive 25 chega com a responsabilidade de revisitar esse legado sem perder o que fez o original funcionar. Mais do que uma simples volta, essa nova versão tenta manter viva a identidade de um jogo que ajudou a abrir portas, ao mesmo tempo em que adapta alguns pontos para os padrões atuais.
Retorno de um clássico brasileiro
Em Outlive, a história gira em torno de quem irá conseguir tomar todos os recursos em Titã, uma das luas de Saturno, após os recursos naturais da Terra terem se esgotado. Com isso, as nações mais poderosas do planeta se juntam para partir nessa missão em busca de um novo lar para a humanidade.
Obviamente, isso não seria uma missão onde todas essas nações viveriam em paz, já que, mesmo unidas por um problema em comum, seus interesses são diferentes. Ao chegar em Titã, algumas defendem que apenas robôs sejam enviados para essa missão, enquanto outras acreditam que a humanidade deve evoluir por meio de modificações genéticas. Assim, o que deveria ser uma solução coletiva acaba se tornando uma guerra pelo controle total dos recursos.
A campanha não fica presa apenas a essa trama, já que é possível escolher um lado da história logo no início. Dá para jogar tanto com os humanos quanto com os robôs, mas ambos seguem o mesmo objetivo de dominar o planeta. Outro retorno nessa versão é a campanha cooperativa, que continua intacta e sem grandes mudanças.
O grande destaque fica por conta da possibilidade de jogar mapas personalizados pela comunidade. No momento, não consegui testar conteúdos feitos por outros jogadores, mas ainda assim é possível acessar mapas antigos que foram atualizados para essa versão, já que alguns surgiram anos após o lançamento original.
Essas adições não mancham o legado do jogo, muito pelo contrário, ampliam as formas de jogar e aumentam bastante o fator replay. Mesmo na época, isso já era um ponto forte, principalmente por conta das duas campanhas e do modo cooperativo, que sempre funciona bem em jogos de RTS.
Mesmo depois de 26 anos, é difícil não comparar o jogo com StarCraft, principalmente nessa versão remasterizada. Ele representa bem a essência dos RTS, onde é preciso gerenciar recursos, construir estruturas sem estourar o orçamento, controlar o consumo de energia e preparar defesas contra invasões. Tudo isso acontece enquanto o jogador avança na campanha com objetivos que, apesar de simples, funcionam bem, como criar unidades, destruir bases inimigas ou resgatar personagens.
Em termos de jogabilidade, as mudanças são mais voltadas para qualidade de vida. Um dos principais destaques é a tela de replay, que permite analisar melhor cada partida após a conclusão, ajudando a entender erros e melhorar estratégias, principalmente em confrontos contra outros jogadores.
Algo que já era marcante no passado continua funcionando muito bem, que é a inteligência artificial. Ainda impressiona ver como as tropas se comportam de forma inteligente, mesmo sem comandos diretos, como recuar para se recuperar ou ativar defesas automaticamente. Isso também vale para os inimigos, que conseguem identificar unidades mais vulneráveis e agir de forma estratégica, dando a sensação de estar enfrentando alguém que realmente se adapta ao que você faz.
Por fim, o jogo mantém a dublagem brasileira, que hoje acaba soando até cômica em alguns momentos, principalmente ao selecionar unidades, já que entrega bem o estilo da época. Os gráficos receberam melhorias, mas sem perder o charme original, muito por conta da direção de arte que puxa para um estilo próximo do cyberpunk, mesmo com a história se passando fora da Terra.
Considerações
Outlive 25 entende bem o peso que carrega e faz um trabalho sólido ao preservar o que fez o original se destacar. A base continua funcionando, seja pelo gerenciamento de recursos, pela estrutura das missões ou pela inteligência artificial, que ainda consegue surpreender mesmo após tantos anos.
As melhorias de qualidade de vida ajudam a modernizar a experiência sem descaracterizar o jogo, enquanto conteúdos como mapas personalizados ampliam o tempo de vida. Ainda assim, algumas limitações da época continuam presentes, principalmente quando comparado aos RTS mais recentes. No fim, é um retorno que valoriza seu passado e reforça a importância que Outlive teve, e ainda tem, dentro do cenário brasileiro.
Outlive 25 chega em 30 de abril para PC.
Esta análise foi feita no PC, com uma cópia do jogo gentilmente cedida pela CriticalLeap.