Neverness to Everness surge como um projeto que claramente tenta ampliar o que se espera de um jogo gacha. Em vez de ficar preso só na progressão de personagens e combates, o jogo coloca o jogador em uma cidade que funciona quase como um espaço vivo, cheia de atividades e sistemas que vão além da campanha principal.
A ideia gira em torno de dar liberdade para experimentar tudo que esse mundo oferece. Como a exploração, missões e atividades paralelas, o jogo constrói uma experiência que tenta se sustentar no conjunto, apostando mais na variedade do que em um único elemento para prender o jogador.
GTA com cara de gacha
No papel de um Avaliador, Neverness to Everness nos leva até a cidade de Hethereau, conhecida por sua modernidade e por um grande mistério ao seu redor. Esse mistério se manifesta nas chamadas anomalias, fendas que se abrem no céu e liberam criaturas que passam a causar problemas na cidade. Nosso personagem, junto de outros avaliadores que possuem uma habilidade chamada Esper, é capaz de investigar e enfrentar essas ameaças, enquanto tenta entender por que esses eventos sobrenaturais estão acontecendo e se existe alguma forma de acabar com isso de vez.
Mesmo sendo um jogo gacha, a trama principal acaba surpreendendo um pouco. Não chega a ser uma das melhores histórias do gênero, mas funciona bem como pano de fundo, principalmente pelas missões principais, que ajudam a explicar melhor o universo e as mecânicas disponíveis.
Já as missões secundárias não acompanham esse mesmo nível. Muitas delas são simples até demais, como tirar uma foto em um ponto específico ou ir até um local para coletar algo, servindo mais para preencher o mapa do que para realmente acrescentar algo relevante à experiência.
Um ponto que merece destaque é a própria cidade de Hethereau. Ela não é tão grande, mas é bastante recheada de atividades. A desenvolvedora também acertou ao atrelar algumas missões a temporadas, o que abre espaço para expandir o conteúdo com o tempo.
Além disso, a cidade conta com uma boa verticalidade. É possível usar carros, planar com alguns bichinhos que remetem a um paraglider e até escalar paredes sem limitações de stamina. O uso de veículos, inclusive, funciona bem, algo que nem sempre é fácil de acertar, principalmente quando envolve colisões e movimentação mais livre.
Outro destaque dentro da cidade é o City Tycoon. Esse sistema coloca o jogador no controle de várias atividades paralelas, funcionando quase como um segundo jogo dentro da experiência principal. Dá para fazer entregas, comprar imóveis, participar de corridas, integrar uma banda, jogar em arcades e, principalmente, cuidar dos próprios negócios. É possível abrir cafeterias, personalizar o espaço, contratar funcionários e até gerenciar a compra de insumos, seja indo atrás deles ou pagando mais caro por entregas.
Claro que o jogo não se resume apenas à exploração. O combate mistura elementos de hack and slash com algo próximo do que vemos em Genshin Impact. O jogador pode montar um grupo de personagens, alternando entre eles durante as lutas, cada um com seus golpes, habilidades e um especial que leva mais tempo para recarregar. Os inimigos variam entre criaturas sobrenaturais, que parecem ter sido tiradas de um Kingdom Hearts, e criminosos espalhados pela cidade.
Apesar da boa variedade de personagens, os confrontos acabam deixando a desejar em impacto. Muitas vezes, os inimigos mal reagem aos golpes, o que passa uma sensação estranha durante as lutas, como se faltasse peso nas ações. Isso acaba prejudicando um pouco, já que o sistema de combate é uma parte central da experiência.
O grande elefante na sala é o sistema gacha. Mesmo sendo o principal ponto de atenção, ele não parece tão agressivo quanto poderia ser. Existe um certo controle por parte do jogador ao tentar conseguir personagens melhores, já que o sistema envolve rolar um dado e avançar em casas até alcançar recompensas específicas, incluindo personagens de maior valor.
Para o público brasileiro, dois pontos podem pesar. O primeiro é a ausência de localização em português, algo que faz falta em um jogo com tantos textos, explicações e diálogos. O segundo é a falta de servidores na América Latina. Jogando em servidores europeus, é possível notar oscilações de conexão, algo que poderia ser resolvido com uma infraestrutura mais próxima.
Sobre o desempenho, o título não me decepcionou em nenhum momento. Em alguns trechos, até achei que estava tendo algumas quedas de frame, mas era só o servidor dando aquela engasgada. Também me surpreendi com os gráficos enquanto explorava a cidade, ainda mais por ser feito na Unreal Engine 5 e ter um tom mais cartunesco. Sem contar que ele já conta com DLSS para dar aquela ajudada sem perder qualidade gráfica.
Considerações
Neverness to Everness acerta ao construir um mundo que convida o jogador a explorar e experimentar diferentes atividades. Hethereau funciona bem como palco principal, e sistemas como o City Tycoon ajudam a dar variedade para além das missões tradicionais. Já a narrativa cumpre seu papel, mesmo sem se destacar tanto dentro do gênero.
Por outro lado, o jogo ainda esbarra em pontos importantes. O combate carece de impacto, algumas atividades se tornam repetitivas e questões como ausência de localização em português e falta de servidores na América Latina pesam na experiência. Ainda assim, existe uma base interessante aqui, com ideias que podem evoluir bastante com o tempo.
Neverness to Everness chega gratuitamente em 29 de abril para Android, iOS, Mac, PC e PlayStation 5.
Esta análise foi feita no PC, com acesso antecipado ao jogo gentilmente cedido pela Perfect World Games.