Se você viveu a era de ouro do PlayStation, deve se lembrar do impacto inigualável que o primeiro Resident Evil causou quando chegou ao mercado em 1996. Ground Zero, fruto da parceria entre a desenvolvedora independente Malformation Games e a Kwalee, surge como uma homenagem a esse passado glorioso.
Diferente de sucessos recentes como o bacanudo Tormented Souls II, que modernizam a fórmula, Ground Zero se posiciona como um "fóssil vivo". O título nos transporta para uma Coreia do Sul futurista, mas totalmente devastada, no ano de 2030. Confira a seguir, aqui no Game On, o que esperar desse título que é uma verdadeira viagem no tempo para a década de 1990.
Uma Coreia em ruínas
Diferente de Raccoon City, o palco aqui é a cidade de Busan, na Coreia do Sul, em um futuro próximo. O cenário pós-apocalíptico é justificado pela queda de um misterioso meteoro que transformou o país em um "ponto zero", com seres vivos virando bizarras mutações biológicas.
Dois meses após o impacto, assumimos o controle de Seo-Yeon, uma agente de elite enviada para investigar o que sobrou da cidade de Busan. Uma missão que, como manda a cartilha do gênero, rapidamente se transforma em um mergulho sem volta e uma luta desesperada pela sobrevivência.
A atmosfera e ambientação são, sem dúvida, um dos grandes acertos do jogo. Ground Zero não constrói tensão aos poucos — ele mergulha o jogador nela desde o início, criando um desconforto constante que se sustenta ao longo da jornada.
Há também uma interessante estrutura de caminhos alternativos, permitindo escolher entre diferentes áreas - como por exemplo uma praia ou um parque de diversões ou entre um hospital e uma delegacia de polícia -, o que incentiva jogar o game mais vezes e reforça a sensação de um mundo fragmentado.
Gameplay clássico
Visualmente, o jogo é um deslumbre para os entusiastas da era 32 bits. Os cenários pré-renderizados em alta definição, combinados com as famosas câmeras fixas, criam cortes cinematográficos dignos dos mestres do gênero. No entanto, essa fidelidade estética cobra seu preço.
Como nos velhos tempos, o senso de direção e o "ponto cego" das câmeras são seus maiores inimigos. Prepare-se para momentos de frustração onde a câmera se recusa a mostrar o que está logo à frente, jogando Seo-Yeon direto para o abraço de uma criatura que você só ouviu, mas não viu. É o tipo de design que testa os limites do jogador moderno, transformando a jogabilidade em um exercício de paciência.
Os menus e o sistema de mapas (faltou uma opção para alternar locais com vários andares, por exemplo) acabam sendo um ponto de atrito na experiência: pouco intuitivos, tanto o gerenciamento de inventário quanto os controles quebram o ritmo da jogabilidade em momentos em que o fluxo deveria ser mais natural.
Ainda assim, existe um charme difícil de ignorar. Esse desconforto não é acidental — ele faz parte da experiência. Ground Zero não quer que você se sinta poderoso. Quer que você se sinta vulnerável.
Para os puristas, os controles de tanque estão lá, prontos para quebrar sua memória muscular. Para os demais, existe uma opção mais fluída e moderna, mas não se engane: o combate é deliberadamente pesado. Os inimigos são verdadeiras "esponjas de bala", e a mira automática, embora funcional, é lenta. Muitas vezes, a melhor estratégia de sobrevivência não é lutar, mas saber quando dar meia-volta.
A grande novidade mecânica fica por conta dos Pontos de Genoma. Este sistema oferece recompensas maiores para eliminações limpas e eficientes, permitindo a compra de armas e melhorias. É um incentivo inteligente para o jogador interagir com os sistemas de combate em vez de apenas fugir de tudo.
E claro, não poderia faltar o inventário limitado, que por sua vez, cumpre seu papel clássico: forçar escolhas do jogador. Cada item carregado é uma decisão — e cada decisão pode custar caro. A munição é de certa forma bem escassa, então pense bem em como e quando gastar cada bala.
Por fim, vale destacar que o game chega com menus e legendas localizados para o português do Brasil. Em um jogo onde a narrativa é construída através de documentos espalhados pelos cenários e detalhes técnicos sobre as mutações biológicas, ter uma tradução para nosso idioma faz toda a diferença na imersão, especialmente para o público brasileiro que é um grande fã de survivor horror.
Considerações
Ground Zero é uma verdadeira viagem nostálgica às origens do survival horror da década de 1990, resgatando aquela atmosfera tensa que marcou uma geração inteira de jogadores. Para os amantes e saudosistas do gênero, é uma recomendação segura: mesmo com alguns problemas pontuais que podem incomodar aqui e ali, o jogo consegue manter o clima envolvente do início ao fim, entregando uma experiência consistente, agradável e, acima de tudo, bastante satisfatória para quem busca reviver a essência clássica do terror nos videogames.
Ground Zero será lançado em 16 de abril para PC, PlayStation 5 e Xbox Series.
Esta análise foi feita no PlayStation 5, com uma cópia do jogo gentilmente cedida pela Kwalee.