Mixtape faz da música o coração de sua aventura adolescente

Músicas clássicas, amizades adolescentes e clima noventista guiam a aventura

25 mai 2026 - 12h34
Mixtape faz da música o coração de sua aventura adolescente
Mixtape faz da música o coração de sua aventura adolescente
Foto: Reprodução / Annapurna Interactive

A Beethoven & Dinosaur rapidamente criou uma identidade própria dentro do cenário independente ao transformar música em parte central das suas experiências. Depois de The Artful Escape apostar em apresentações psicodélicas e uma jornada completamente guiada pelo som, o estúdio retorna agora com Mixtape, um jogo que novamente usa músicas famosas para construir personalidade, emoção e ritmo para a narrativa.

Dessa vez, a proposta troca o sci-fi psicodélico por uma história mais pé no chão sobre amizade, adolescência e medo do futuro. Misturando bandas clássicas dos anos 90, humor exagerado e aquele clima de verão que parece não poder acabar, Mixtape tenta transformar uma última noite entre amigos em algo quase nostálgico até para quem nunca viveu essa época.

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Uma última noite de verão

Passando-se nos anos 90, Mixtape acompanha a última noite de três amigos juntos. Stacey, a protagonista central, sonha em seguir carreira na música. Cassandra divide boa parte do protagonismo por conta da relação complicada com os pais, que esperam que ela seja a filha perfeita em todas as ocasiões. Fechando o trio temos Slater, um aspirante a compositor que morre de medo de ser criticado pelas próprias músicas.

Por conta de uma viagem marcada que vai mudar completamente a vida de Stacey, a trama gira em torno de como os planos do grupo acabam indo por água abaixo. Com isso, eles tentam aproveitar esse último dia juntos, relembrando tudo que viveram durante anos de amizade e aproveitando cada momento antes de seguirem caminhos diferentes.

Mesmo usando aquela clássica história noventista sobre adolescentes tentando aproveitar a vida antes da adolescência acabar, Mixtape consegue fazer isso com bastante personalidade. O jogo passa muito bem a sensação de fazer a gente se importar com os personagens, justamente por trabalhar esse clima de verão que parece não poder terminar, enquanto todos lidam com o medo de que a amizade mude para sempre e eles acabem seguindo caminhos diferentes.

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Foto: Reprodução / Matheus Santana

Um ponto impossível de não elogiar em Mixtape é a trilha sonora e a forma como ela ajuda a conduzir a história. Boa parte das músicas inclui bandas e artistas da época, como Joy Division, The Cure, Iggy Pop e vários outros. Cada capítulo possui sua própria “Track”, e quase sempre somos apresentados a ela por Stacey, que explica como aquela música combina com o momento vivido pelos personagens. Em um dos trechos, por exemplo, ela comenta sobre “The Touch” e como a canção explodiu após o filme animado de Transformers em 1986. Essas quebras de quarta parede acabam funcionando muito bem, principalmente porque Stacey conversa diretamente com quem está jogando.

Falar da jogabilidade de Mixtape acaba sendo um misto de sentimentos. Boa parte da experiência gira em torno de assistir aos acontecimentos enquanto pequenas interações aparecem na tela, como pular objetos usando um carrinho de mercado, andar de skate ou participar de momentos rápidos que ajudam a quebrar o ritmo da narrativa. Ainda assim, grande parte do jogo acontece dentro da casa da protagonista e de seus amigos, principalmente nos quartos de cada um deles, interagindo com objetos, conversando e relembrando aventuras antigas.

Foto: Reprodução / Matheus Santana

Não tenho nada contra quando jogos assumem esse lado mais interativo e cinematográfico, como Life is Strange ou os jogos de The Walking Dead focados na Clementine. Inclusive, Dispatch, um dos meus jogos favoritos do ano passado, também segue essa linha mais voltada para assistir do que jogar de fato. O problema é que Mixtape não consegue equilibrar isso tão bem por conta da duração.

Os jogos citados facilmente passam das dez horas e possuem um forte fator replay graças ao sistema de escolhas. Mixtape está longe de oferecer algo parecido, já que os momentos em que realmente pegamos o controle acabam sendo simples e muito rápidos. Para muita gente isso pode ser positivo, afinal dá para terminar tudo em uma tarde, mas como o próprio jogo trabalha essa ideia de uma última noite entre amigos, também fica aquela sensação de que a aventura poderia durar um pouco mais.

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Por fim, algo que me surpreendeu bastante em Mixtape foi como o jogo consegue ser muito bonito mesmo usando um estilo artístico mais cartunesco e animações com menos quadros, lembrando bastante o visual de Spider-Verse.

Cada fase transmite exatamente a emoção daquele momento vivido pelos personagens. No final, por exemplo, existe uma viagem de carro pela praia cheia de fogos de artifício que reforça como aquele talvez tenha sido um dos momentos mais felizes do grupo em muito tempo. Em vários trechos, o exagero das situações lembra até episódios de Apenas um Show, com carros voando, personagens flutuando e momentos que parecem saídos diretamente da cabeça de adolescentes tentando transformar uma noite comum em algo inesquecível.

Considerações 

Mixtape - Nota 8,5
Foto: Divulgação / Game On

Mixtape funciona muito mais pela forma como consegue transmitir emoções simples do que por qualquer grande reviravolta narrativa. A relação entre os personagens, a trilha sonora e o jeito como o jogo mistura exagero adolescente com momentos sinceros acabam criando uma experiência bastante fácil de se apegar, principalmente para quem gosta desse tipo de história sobre amizade e amadurecimento.

Mesmo tendo problemas no ritmo da jogabilidade e deixando aquela sensação de que poderia durar um pouco mais, Mixtape consegue entregar personalidade o bastante para compensar isso. Entre músicas clássicas, conversas bobas de madrugada e situações que parecem saídas diretamente da cabeça de adolescentes dos anos 90, o jogo consegue transformar uma despedida simples em algo genuinamente memorável.

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Mixtape está disponível para PC, PlayStation 5, Switch 2 e Xbox Series, podendo ser jogado também via PC Game Pass e Game Pass Ultimate.

Esta análise foi feita no PC, com uma cópia do jogo gentilmente cedida pela ID XBOX.

Fonte: Game On
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