Elcio Ramalho, de Roland-Garros
Em seu discurso durante a cerimônia de premiação, Zverev relembrou momentos difíceis na quadra Philippe-Chatrier, como as derrotas em fases decisivas em edições anteriores e uma grave lesão sofrida durante uma das partidas disputadas no local. Segundo ele, desta vez a história teve "um final feliz".
O alemão também agradeceu sua equipe e fez uma menção especial ao brasileiro Marcelo Melo, com quem já jogou em torneio de duplas e mantém longa amizade.
Cobolli, por sua vez, elogiou o adversário: "Se alguém me perguntasse quem mais merecia esse título, eu diria você", afirmou, dirigindo-se a Zverev. No entanto, ele mostrou visível decepção, ao reconhecer a frustração por ter chegado tão perto da conquista.
Decisão inédita
A decisão foi inédita em Roland-Garros. Zverev, número 3 do mundo, entrou como favorito, sobretudo após eliminações precoces de outros nomes fortes, como Jannik Sinner, na segunda rodada, e de Novak Djokovic, eliminado pelo brasileiro João Fonseca. Aos 29 anos, o alemão buscava o primeiro título de Grand Slam depois de três finais perdidas anteriormente: no US Open em 2020, Roland-Garros em 2024 e no Australian Open em 2025.
Na sua 11ª participação no Aberto da França, Zverev chegou à final cedendo apenas dois sets durante o torneio e vinha de uma bela vitória sobre o tcheco Jakub Mensik na semifinal.
Sem jogar a semifinal, após a desistência de seu adversário Matteo Arnaldi por problemas de saúde. Aos 24 anos, o italiano Flavio Cobolli, 14° do ranking da ATP, disputava sua primeira final de um Grand Slam.
Cobolli tinha ainda uma missão: quebrar um longo jejum de 50 anos sem um italiano erguer o troféu de campeão do torneio masculino, após o triunfo de Adriano Panatta em 1976. O ex-tenista foi encarregado de entregar o troféu este ano ao vencedor.
O jogo
O peso de disputar a primeira final de Grand Slam se fez sentir logo nos primeiros games para Flavio Cobolli. O italiano começou nervoso, com dificuldades na devolução e muitos erros não forçados. Aproveitando o momento, Alexander Zverev foi consistente desde o início, pressionou o saque do adversário e conseguiu quebras seguidas para disparar no placar. Sólido no fundo de quadra e eficiente no serviço, o alemão precisou de apenas 38 minutos para fechar o primeiro set em 6/1.
O cenário mudou na segunda parcial. Cobolli se soltou, passou a arriscar mais e encontrou melhor ritmo nas trocas de bola. Com os dois jogadores confirmando seus saques, o equilíbrio marcou o set. Empurrado pelo público da quadra Philippe-Chatrier, o italiano cresceu no momento decisivo, conseguiu sua primeira quebra e abriu 4/3. Sob gritos de "olé, olé, olé, Flavio", manteve a confiança, confirmou o serviço e, mesmo pressionado por Zverev nos games finais, fechou o set em 6/4 para empatar a partida.
O terceiro set seguiu a mesma linha de equilíbrio. Cobolli começou com boas variações, enquanto Zverev mantinha a consistência. O alemão teve chance de quebra no início, mas não aproveitou. A disputa seguiu ponto a ponto, com trocas intensas do fundo de quadra. Após igualdade em 4/4, Zverev elevou o nível nos momentos decisivos, foi mais agressivo na devolução, conquistou a quebra e fechou a parcial em 6/4, voltando a ficar em vantagem.
O quarto set foi o mais instável da partida, marcado por sucessivas quebras de serviço. Cobolli começou melhor e aproveitou erros de Zverev, especialmente no saque, para abrir vantagem. O alemão reagiu e devolveu a quebra, empatando em 3/3, mas voltou a oscilar e permitiu que o italiano retomasse a dianteira. Quando Cobolli abriu 5/3, parecia perto da vitória no set, mas Zverev mostrou poder de reação e quebrou novamente, levando a decisão para o tie-break.
No desempate, a tensão aumentou. Zverev chegou a liderar, embalado pelos gritos de "Sasha" na arquibancada, mas Cobolli respondeu, virou o placar e se manteve firme nos pontos decisivos. Mesmo após desperdiçar uma chance clara na rede, o italiano se recuperou e fechou o tie-break em 7-5, levando o confronto para o quinto set.
Na parcial decisiva, Zverev retomou o controle. Mais sólido física e mentalmente, o alemão aproveitou uma queda de rendimento de Cobolli para conquistar duas quebras logo no início e abrir 3/0. Administrando a vantagem com segurança, confirmou seus serviços e ampliou a diferença. O italiano ainda tentou reagir, apoiado pela torcida, e chegou a criar uma oportunidade de quebra, mas Zverev evitou.
Sem perder a concentração, o alemão seguiu dominando até o fim. Cobolli já não conseguia manter o mesmo nível de intensidade, enquanto Zverev controlava as trocas e evitava riscos. Com autoridade, fechou o set em 6/1 e selou a vitória por 3 sets a 2, conquistando o título inédito na carreira.