Julio Casares renuncia à presidência do São Paulo

Dirigente foi afastado pelo Conselho do clube na última sexta-feira (16) após aprovação do processo de impeachment

21 jan 2026 - 18h04
(atualizado às 18h07)
Julio Casares deixa o São Paulo em meio a escândalos e uma crise institucional –
Julio Casares deixa o São Paulo em meio a escândalos e uma crise institucional –
Foto: Instagram / Jogada10

Julio Casares apresentou nesta quarta-feira (21) um pedido de renúncia à presidência do São Paulo. O agora ex-mandatário do clube publicou uma carta em suas redes sociais para anunciar a decisão. Agora, o vice-presidente Harry Massis, que ocupava o cargo de forma interina, passa a dirigir o clube até o final do ano, quando ocorrem novas eleições.

Desde a última sexta-feira (16), quando o Conselho Deliberativo do São Paulo aprovou a abertura do processo de impeachment contra Casares, havia a expectativa pela renúncia. Isso porque essa seria a única forma do então presidente do clube preservar seus direitos políticos.

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Com a derrota no Conselho (foram 188 votos a favor do impeachment e apenas 45 contra), Casares foi imediatamente afastado e teria de passar por uma assembleia de associados do clube, que aprovariam ou não a destituição do dirigente de maneira definitiva. Agora, com a renúncia, essa assembleia não acontecerá mais e Harry Massis, que conduzia o clube de forma interina, passa a ser efetivamente o presidente do São Paulo até o final do ano.

Julio Casares deixa o São Paulo em meio a escândalos e uma crise institucional –
Foto: Instagram / Jogada10

Veja o comunicado em que Casares anuncia a renúncia à presidência do São Paulo

Ao longo de minha trajetória na Presidência do São Paulo, atuei com absoluta seriedade, firmeza, responsabilidade e compromisso com a defesa da instituição. Sempre orientado pelo respeito à sua história, à sua grandeza e à sua torcida. Nos últimos meses, o clube passou a viver um ambiente de intensa instabilidade, marcado por ataques reiterados, narrativas distorcidas e pressões externas que extrapolaram o debate institucional legítimo.

O que se iniciou como versões frágeis e boatos foi sendo reiteradamente reproduzido, amplificado e tratado como verdade, mesmo sem a apresentação de provas robustas. Formou-se, assim, um contexto de grave contaminação do debate, no qual ilações passaram a ocupar o lugar dos fatos e suposições foram apresentadas como certezas. Um processo que, aos poucos, transformou versões construídas em verdades aparentes.

Não afirmo, neste momento, autoria, métodos ou responsabilidades específicas, até porque tais questões devem ser devidamente apuradas pelos órgãos competentes. Contudo, é impossível ignorar que houve articulações de bastidores, distorções deliberadas e uma trama política ardilosa. Marcada por interesses, traições institucionais e expedientes incompatíveis com a história e os valores do São Paulo Futebol Clube — fatos que o tempo e a história haverão de registrar.

Esse cenário afetou a governança do clube e, de forma absolutamente inaceitável, ultrapassou os limites da esfera institucional, alcançando minha família e vida pessoal. Não renunciei anteriormente porque entendi ser meu dever exercer, até o fim, o direito à ampla defesa e ao contraditório.

Enfrentei esse processo de maneira direta, presencial e com dignidade, mesmo diante de um ambiente já contaminado por narrativas previamente construídas. Na prática, a manifestação realizada na tribuna foi o único espaço efetivo que me foi concedido para apresentar minha defesa, em um rito sumário que, ao meu juízo, restringiu a necessária produção de provas e o pleno esclarecimento dos fatos.

A decisão tomada por este Conselho encerra um processo de natureza política. Respeito essa decisão, ainda que dela discorde. E reafirmo, com absoluta convicção, que jamais pratiquei qualquer irregularidade. Minha renúncia não representa confissão, reconhecimento de culpa ou validação das acusações dirigidas.

Diante da continuidade desse ambiente, da necessidade de preservar minha saúde e, sobretudo, de proteger minha família de ataques e ameaças gravíssimas, bem como para evitar que essa disputa política continue a prejudicar o time de futebol e o ambiente esportivo do clube, apresento minha renúncia ao cargo de Presidente, com efeitos a partir desta data, antecipando, inclusive, o exercício do direito estatutário de aguardar a Assembleia Geral.

Faço questão de registrar que deixo um clube esportivamente estruturado, com um time competitivo, que voltou a disputar decisões, chegou a finais e conquistou títulos de grande relevância. Destaco, de forma especial, a conquista da Copa do Brasil de 2023, título inédito e histórico, que simboliza o trabalho sério, responsável e comprometido desenvolvido ao longo da gestão.

Esse desempenho é fruto do esforço conjunto de atletas, comissão técnica e profissionais do clube, aos quais manifesto meu respeito e confiança. Tenho absoluta convicção de que seguirão honrando essa camisa e lutando por títulos, com o apoio da torcida e da instituição. Meu afastamento também tem como objetivo permitir que eventuais apurações ocorram de forma ampla, técnica e isenta, sem qualquer alegação de interferência, para que a verdade possa ser plenamente buscada e alcançada.

Reitero, por fim, minha certeza de que o São Paulo é maior do que qualquer cargo, circunstância ou narrativa construída. Ao São Paulo Futebol Clube, amor de infância e da minha vida, jamais renunciarei. Renuncio, sim, ao ambiente de conspirações, distorções, mentiras e disputas de poder que ultrapassaram os limites democráticos e tentaram manchar trajetórias, biografias e a própria história do clube.

Despeço-me com respeito, gratidão e amor permanente por esta instituição, que sempre honrarei.

Julio Casares

Relembre a passagem de Julio Casares na presidência do São Paulo

Julio Casares foi eleito presidente do São Paulo no final de 2020, para exercer mandato no triênio 2021-2023. O dirigente se posicionou como oposição ao então presidente do Tricolor, Carlos Augusto de Barros e Silva, o Leco. Entretanto, Casares não era exatamente uma cara nova na política do clube. Isso porque o dirigente já tinha ocupado cargos nas gestões de Juvenal Juvêncio (diretor de marketing) e Carlos Miguel Aidar (vice-presidência geral do clube).

No primeiro ano de mandato, Casares venceu o Paulistão em cima do Palmeiras tirando o clube de uma fila de nove anos no geral, e 16 no estadual. A vitória no início da gestão deu moral para o mandatário, que se elegeu com um discurso de modernização da gestão e equalização de dívidas.

Em 2023, veio o segundo título da gestão, a até então inédita Copa do Brasil, diante do Flamengo. O bom desempenho dentro do campo levou Casares a articular uma reeleição, que não era permitida pelo estatuto do clube. Com amplo apoio no Conselho Deliberativo, o agora ex-presidente passou a medida com tranquilidade e foi reeleito sem adversário na eleição de 2023.

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Os anos seguintes, no entanto, foram marcados por mau desempenho nos campeonatos. Além disso, a dívida do clube chegou a quase R$ 1 bilhão, em oposição à promessa de responsabilidade financeira feita na primeira eleição. Por fim, desde o final de 2025 escândalos atingiram a gestão.

Além da possível exploração irregular de camarotes do Morumbis, que levaram à abertura do processo de impeachment, uma investigação da Polícia Civil que apura corrupção no clube jogou ainda mais pressão sobre o dirigente. Com a aprovação no Conselho Deliberativo, Julio Casares se tornou o primeiro presidente da história do São Paulo a sofrer impeachment.

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