Júlio Casares anunciou nesta quarta-feira sua renúncia à presidência do São Paulo. A ação ocorre dias após ter sofrido uma derrota no processo de impeachment no Conselho Deliberativo. O procedimento ainda previa uma assembleia de sócios, a ser convocada em até 30 dias. Entretanto, uma nova derrota poderia significar perda de direitos políticos no clube por até 10 anos e exclusão no Conselho Consultivo.
Em carta publicada no seu perfil do Instagram, Casares diz que as acusações as quais responde iniciaram com "versões frágeis" e são tratadas como verdade "mesmo sem apresentação de provas robustas".
A renúncia vem no mesmo dia que a Polícia Civil realizou uma operação de busca e apreensão contra Mara Casares e Douglas Schwartzmann, aliados de Casares que estão licenciados. Eles são suspeitos de um esquema de uso irregular de camarotes no MorumBis.
A exemplo do ex-presidente Carlos Miguel Aidar, Casares renuncia e garante a permanência entre os conselheiros do Consultivo e continua ativo no clube.
Há expectativa pela saída de Antonio Donizeti Gonçalves, o Dedé. Ele é diretor-geral do clube social e um dos líderes do Movimento Sempre Tricolor (MSP). A eventual renúncia de Dedé ao cargo é relacionada à operação da Polícia nesta terça-feira, já que Mara e Schwartzmann também integram o MSP.
Casares, contudo, ainda é investigado pela Polícia Civil e pelo Ministério Público. Há inquéritos que apuram gestão temerária, desvios dos cofres do clube e uso irregular de camarote no MorumBis.
Na reunião de sexta-feira, o então mandatário são-paulino evitou contato com a imprensa. Ele já estava no clube desde a tarde e foi até o salão da reunião por um caminho interno. Durante o encontro, ele sentou-se apenas com seus advogados, isolado dos demais conselheiros.
O presidente alegou ser vítima de acusações sem provas. Disse que, até então, não teve ampla defesa e relatou ter sofrido ameaças.
Quando foi encerrada a reunião, e iniciou a votação, Casares deixou o salão. Por um caminho interno e novamente sem passar próximo dos jornalistas, ele deixou o MorumBis.
'MorumBis foi transformado em máquina de caça-níqueis', diz promotor
A operação deflagrada pela Polícia Civil nesta quarta-feira, 21, contra a venda ilegal de camarotes no MorumBis, casa do São Paulo Futebol Clube, resultou na apreensão de R$ 28 mil e uma vasta documentação detalhando o esquema. Foram cumpridos quatro mandados de busca e apreensão em diferentes endereços na capital paulista.
"Tomamos conhecimento de documentos que confirmam que o esquema de arrecadação abrange um tempo muito maior e com muito mais pessoas que a gente imaginava", disse o promotor José Reinaldo Guimarães Carneiro, ao Estadão. "O MorumBis foi transformado em uma gigantesca máquina de caça-níqueis para atender o interesse de terceiros."
As investigações sobre irregularidades envolvendo o São Paulo foram intensificadas com a criação de uma força-tarefa criada pelo MP-SP. Os promotores José Reinaldo Guimarães Carneiro e Tomás Busnardo Ramadan vão trabalhar junto do delegado Tiago Fernando Correia, responsável pelo caso na Polícia Civil, para dar maior celeridade ao processo.